PT assina CPMI para investigar Lulinha e cobra comissão sobre Flávio e Master

A líder do governo no Senado, senadora Teresa Leitão (PT-PE), anunciou nesta segunda-feira, 19 de outubro, que assinará o pedido de criação de uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) voltada a investigar possíveis irregularidades envolvendo a lobista Roberta Luchsinger e Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A iniciativa, originalmente da deputada federal Coronel Fernanda (PL-MT) e com apoio da senadora Damares Alves (Republicanos-DF), já havia reunido 83 assinaturas até o momento. Para ser protocolada, o requerimento precisa alcançar 198 apoios no total — 171 deputados e 27 senadores.
“Informo que, como líder do Governo no Senado, assinarei o pedido de abertura de Comissão Parlamentar Mista de Inquérito para investigar possíveis irregularidades envolvendo Roberta Luchsinger, Fábio Luís Lula da Silva e eventuais agentes públicos em benefício de interesses privados”, comunicou a senadora em publicação nas redes sociais. A decisão surpreendeu observadores políticos, já que se trata de uma investigação que atinge diretamente o círculo familiar do presidente da República.
A senadora foi ainda mais longe: confirmou que também apoiará a instalação de uma segunda CPMI, desta vez para apurar supostas irregularidades envolvendo o candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL). O foco será o financiamento do filme Dark Horse com recursos ligados ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do extinto Banco Master, além de eventuais relações financeiras entre o senador e o advogado Willer Tomaz. O requerimento dessa segunda comissão é de autoria do líder do PT na Câmara, deputado Pedro Uczai (SC), que pretende esclarecer o repasse de aproximadamente R$ 61 milhões para a produção do longa-metragem sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Segundo Teresa Leitão, a base governista no Congresso será orientada a apoiar a criação das duas comissões simultaneamente. “O governo do presidente Lula mantém compromisso permanente com a ética, a transparência e o combate à corrupção”, destacou. O ministro das Relações Institucionais, José Guimarães, reforçou a mensagem ao afirmar que o pedido da oposição para investigar possíveis atos irregulares “não encontrará qualquer obstáculo por parte do governo”. A postura oficial sinaliza uma disposição de não adiar nem dificultar as apurações solicitadas pelos parlamentares.
Como demonstração adicional de disposição para esclarecer os fatos, o presidente Lula anunciou que enviará nesta terça-feira, 20 de outubro, ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) uma autorização para que sejam quebrados seus sigilos bancário e telefônico, assim como os de seus cinco filhos. Em seguida, lançou um desafio público para que o candidato adversário faça o mesmo. A medida foi apresentada como forma de demonstrar que não há nada a esconder, em um momento em que acusações circulam intensamente nas redes sociais e nos noticiários.
Do outro lado das investigações, Roberta Luchsinger reafirmou sua intenção de firmar um acordo de delação premiada com as autoridades. Em declaração à CNN Brasil no último sábado, 17, disse: “Não vou poupar filho de presidente, não vou poupar ninguém. Porque o que está em questão é a verdade, e a verdade tem que ser dita, doa a quem doer”. A empresária é investigada juntamente com Lulinha por suspeita de tráfico de influência, além de estar ligada ao escândalo dos descontos indevidos em aposentadorias e pensões do INSS.
A senadora Damares Alves, que coassinou o requerimento da primeira CPMI, ressaltou que os trabalhos da comissão devem abranger também o caso dos descontos no INSS. “É preciso esclarecer quem participou, quem foi beneficiado e se a estrutura do governo federal foi utilizada para atender a interesses privados. As denúncias são graves e precisam ser apuradas com rigor, responsabilidade e transparência. Ninguém pode estar acima da lei, muito menos por ser próximo ao presidente da República”, afirmou a parlamentar do Republicanos.
Com os dois lados da disputa política concordando com investigações e o presidente oferecendo o acesso aos seus próprios sigilos, os próximos dias serão decisivos para saber se as comissões serão efetivamente instaladas e com qual escopo. O eleitor deve acompanhar os trabalhos sempre por meio de fontes oficiais e confiáveis, lembrando que todas as pessoas mencionadas têm direito à ampla defesa e que ninguém é considerado responsável até que haja conclusão das apurações.





