PT vem procurando associar o discurso de renovação feito por Flávio ao governo de Fernando Collor

A campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) passou a comparar o senador Flávio Bolsonaro (PL) ao ex-presidente Fernando Collor de Mello para contestar a mensagem de renovação apresentada pelo adversário na disputa presidencial de 2026. A estratégia busca relacionar o discurso de mudança do candidato do PL a episódios da história política brasileira, especialmente o bloqueio de recursos financeiros promovido durante o governo Collor. A iniciativa ganhou destaque no início do segundo turno, quando as duas campanhas passaram a intensificar suas mensagens para conquistar o eleitorado.
Segundo reportagem da CNN Brasil, a equipe petista pretende rebater a apresentação de Flávio como representante do futuro, enquanto o senador prepara uma comunicação voltada à ideia de renovação política. O candidato do PL deve explorar o mote “um novo presidente para um novo Brasil”, estabelecendo uma oposição entre sua proposta de mudança e a continuidade do governo Lula. Diante dessa estratégia, o PT recorreu à memória de Collor, que também chegou à Presidência com promessas de modernização e combate a privilégios.
A comparação foi divulgada nas redes sociais do Partido dos Trabalhadores por meio de uma montagem que aproxima os rostos de Flávio Bolsonaro e Fernando Collor. A publicação reúne manchetes relacionadas ao confisco da poupança e às propostas de redução de gastos defendidas pelo senador, acompanhadas da frase “Às vezes o futuro pode ser uma volta ao passado”. Na legenda, o partido afirmou que o Brasil já havia vivido uma situação semelhante e utilizou a lembrança histórica para questionar o discurso de renovação do adversário.
PT relaciona proposta de cortes ao governo Collor
A ofensiva petista também procura associar o chamado “tesouraço” defendido por Flávio Bolsonaro para reduzir despesas públicas ao risco de consequências para a população. A campanha pretende contestar a ideia de que a redução expressiva dos gastos do governo representaria necessariamente uma mudança positiva para o país, destacando possíveis impactos sobre aposentadorias, salários e programas sociais. Essa associação faz parte da estratégia política do PT para responder às propostas econômicas apresentadas pelo candidato do PL.
A deputada federal Gleisi Hoffmann (PT-PR), ex-presidente nacional do partido e ex-ministra das Relações Institucionais, também publicou uma crítica que compara Flávio a Collor e faz referência ao presidente argentino Javier Milei. Na manifestação, Gleisi afirmou que as propostas atribuídas ao senador poderiam atingir aposentadorias, programas sociais e salários, além de classificar a promessa de mudança como uma fonte de preocupação para os brasileiros. As declarações representam a posição da parlamentar e integram a ofensiva do PT contra o programa defendido pelo adversário.
A referência a Collor remete à eleição presidencial de 1989, quando ele derrotou Lula no segundo turno da primeira disputa direta pela Presidência após a ditadura militar. Naquele período, Collor construiu sua imagem pública com a promessa de combater privilégios e ficou conhecido pela expressão “caçador de marajás”. A campanha petista utiliza esse precedente para questionar a relação entre promessas de modernização política e as medidas adotadas depois da chegada ao poder.
Confisco da poupança marcou o início do governo Collor
Em 1990, no começo de sua administração, Fernando Collor anunciou o plano econômico que ficou conhecido como Plano Collor, uma tentativa de conter a inflação que incluiu o bloqueio de parte dos recursos mantidos em poupanças, contas-correntes e outras aplicações financeiras. O pacote também estabeleceu medidas como o congelamento de preços e salários, provocando forte impacto na vida de brasileiros que tiveram acesso ao próprio dinheiro restringido. Esse episódio é um dos principais elementos históricos utilizados pelo PT para sustentar a comparação com Flávio Bolsonaro.
Collor permaneceu na Presidência até 1992, quando denúncias de corrupção levaram à abertura de um processo de impeachment. Ele renunciou antes da conclusão do julgamento, mas o Senado deu prosseguimento ao processo e o declarou inabilitado para exercer função pública por oito anos. A trajetória do ex-presidente passou a ser utilizada pela campanha de Lula como referência para contestar a promessa de renovação apresentada pelo candidato do PL.
A comparação entre Flávio e Collor também ocorre em meio à tentativa da campanha do senador de explorar a diferença de idade entre os dois candidatos. Flávio tem 45 anos, enquanto Lula tem 80, e a equipe do PL pretende apresentar o senador e outras lideranças da direita como integrantes de uma geração mais jovem na política. Ao recorrer à história de Collor, o PT procura deslocar a discussão da idade dos candidatos para as experiências anteriores do país com discursos de mudança e propostas de reorganização econômica.
Disputa pelo significado de mudança no segundo turno
A estratégia petista evidencia que a ideia de futuro se tornou um dos temas centrais da comunicação eleitoral entre Lula e Flávio Bolsonaro. Enquanto o candidato do PL pretende associar sua candidatura à renovação e à chegada de uma nova geração ao comando do país, a campanha do presidente procura questionar essa narrativa por meio de referências a episódios anteriores da política brasileira. A comparação com Collor é uma das ferramentas utilizadas pelo PT para relacionar o discurso do adversário às consequências do Plano Collor e às propostas de redução de despesas públicas.
A reportagem da CNN Brasil destaca que a disputa envolve tanto a apresentação de projetos para o país quanto a tentativa de cada campanha de definir a imagem política do adversário. O PT usa a experiência do governo Collor para contestar a mensagem de renovação de Flávio, enquanto o senador busca reforçar a ideia de um novo ciclo político em oposição à continuidade de Lula. Com o segundo turno marcado para 25 de outubro de 2026, as mensagens sobre mudança, economia e políticas sociais devem permanecer no centro da campanha eleitoral.





