Renata Lo Prete pegou pesado com Flávio Bolsonaro e deu um sermão nele após o nome de Luciano Huck ser citado

O senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência da República, protagonizou um dos momentos mais tensos da sabatina realizada pela TV Globo na noite de sexta-feira, 16 de outubro de 2026. Durante a entrevista conduzida pela jornalista Renata Lo Prete, ele mencionou negócios envolvendo o apresentador Luciano Huck e a demissão de um ex-executivo do Grupo Globo para defender o financiamento do filme Dark Horse, produção sobre a trajetória política de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro. A jornalista contestou a comparação e explicou que contratos comerciais de publicidade e financiamento cinematográfico são situações distintas.
A discussão começou quando Renata questionou Flávio sobre os valores repassados pelo banqueiro Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, para a produção do longa-metragem. O senador afirmou que os recursos recebidos de Vorcaro e de outros investidores permitiram concluir o filme e classificou o dinheiro como lícito. Em seguida, citou o programa de Luciano Huck e a saída de um executivo da Globo, argumentando que as relações comerciais envolvendo o banqueiro também deveriam ser consideradas no debate.
Segundo reportagem publicada pelo Notícias da TV, Flávio afirmou que o programa de Huck teria recebido mais de R$ 100 milhões e mencionou a possibilidade de o valor ter chegado a R$ 160 milhões em ações relacionadas ao banco de Vorcaro. O candidato também citou Frederic Kachar, ex-diretor-geral de Mídia Impressa e Rádio do grupo, que foi desligado da empresa após a divulgação de conversas com o banqueiro. Renata respondeu que os episódios não poderiam ser tratados como equivalentes e apresentou esclarecimentos sobre as diferenças entre publicidade, independência editorial e conduta de executivos.
Renata Lo Prete explica a diferença entre publicidade e financiamento de filme
Ao responder às declarações do senador, Renata destacou que a compra de espaços comerciais e patrocínios na programação televisiva segue regras próprias e é negociada de acordo com as condições do mercado. A jornalista afirmou que essas operações não são equivalentes ao financiamento de um filme, que envolve outra modalidade de investimento e exige análise de suas próprias condições. Ela também ressaltou que os patrocínios comerciais não determinam a linha editorial nem comprometem a independência do jornalismo da emissora.
A apresentadora também abordou a situação do ex-executivo do Grupo Globo mencionado por Flávio durante a entrevista. Segundo Renata, as conversas envolvendo Frederic Kachar e Daniel Vorcaro foram divulgadas nos dias anteriores à sabatina, e o desligamento do executivo ocorreu na sequência da repercussão do caso. Ao concluir a explicação, ela reiterou que a situação profissional do ex-diretor e os contratos comerciais citados pelo candidato eram assuntos diferentes.
O episódio ocorreu horas depois de Flávio ter participado de um almoço com o presidente do Grupo Globo, antes da entrevista transmitida ao vivo. Apesar desse encontro, Renata manteve os questionamentos sobre o financiamento de Dark Horse e pediu esclarecimentos sobre a relação entre o senador e o banqueiro. A conversa ganhou destaque justamente porque o candidato tentou usar exemplos relacionados à própria emissora para responder às perguntas sobre os recursos destinados à produção cinematográfica.
Debate sobre Daniel Vorcaro e o filme Dark Horse
O financiamento do filme sobre Jair Bolsonaro foi um dos principais temas da sabatina, com perguntas sobre os valores envolvidos e a forma como os recursos foram encaminhados. Renata mencionou que Flávio havia solicitado R$ 134 milhões a Vorcaro e que quase R$ 70 milhões teriam sido repassados para a iniciativa. A jornalista também questionou por que parte do dinheiro foi destinada a um fundo nos Estados Unidos, administrado por uma pessoa ligada a Eduardo Bolsonaro, em vez de ser transferida diretamente à produtora responsável pelo filme.
Flávio defendeu a operação e afirmou que os recursos foram utilizados para concluir a produção cinematográfica, sustentando que o financiamento ocorreu dentro da legalidade. Durante a resposta, ele mencionou um suposto áudio no qual Vorcaro teria falado sobre um pagamento de R$ 30 milhões relacionado à produção de um filme sobre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Renata interrompeu o candidato e disse que preferia manter a entrevista baseada em fatos estabelecidos, respaldados por investigações oficiais ou apurações jornalísticas.
A jornalista explicou que a referência ao suposto áudio poderia misturar informações ainda sem confirmação suficiente para serem tratadas como fatos durante a conversa. Ela também justificou a cobrança de esclarecimentos ao afirmar que Jair Bolsonaro foi presidente da República e que Flávio disputava o cargo máximo do Executivo federal, circunstâncias que tornavam o financiamento um assunto de interesse público. O senador respondeu que estava disposto a responder às perguntas, mantendo sua defesa sobre a legalidade dos recursos destinados ao filme.
Outros assuntos questionados durante a sabatina
Além da discussão sobre Vorcaro e Dark Horse, Renata Lo Prete questionou Flávio sobre sua posição a respeito do fim da escala de trabalho 6×1 e sobre a possibilidade de ampliar o mandato presidencial para cinco anos. A entrevista também abordou a relação entre o ministro Kassio Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal, e o banqueiro, além das prisões dos políticos Márcio Canella e Rodrigo Bacellar, citados na conversa como pessoas próximas ao candidato. As perguntas ampliaram o debate para temas políticos, trabalhistas e institucionais relacionados à campanha presidencial.
Outro momento ocorreu quando Renata perguntou sobre a proposta de Flávio de retirar a marcação de identificação das cápsulas de munição comercializadas para civis, atiradores e policiais. O senador descreveu a marcação como um detalhe e afirmou que sua prioridade seria combater a impunidade, defendendo a mudança apresentada durante a entrevista. Depois de responder, ele perguntou à jornalista se ela havia entendido sua explicação, ao que Renata retrucou que havia entendido, mas ficara sem resposta.
A sabatina reuniu questionamentos sobre o financiamento de uma produção cinematográfica, relações comerciais, propostas de campanha e medidas ligadas à segurança pública. O confronto verbal entre Flávio e Renata ganhou repercussão por causa das referências aos negócios do Grupo Globo com empresas relacionadas a Vorcaro e pela resposta da jornalista sobre a diferença entre publicidade e financiamento de filmes. A entrevista de sexta-feira, 16 de outubro, integrou a cobertura da disputa presidencial no segundo turno, em um período de atenção ampliada às declarações dos dois candidatos.





