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Roberta Luchsinger cita ‘aero Lula’, FAB e sala do presidente em mensagens

Reportagem do portal Metrópoles revelou trocas de mensagens atribuídas à lobista Roberta Luchsinger que fazem referência a viagens em aeronaves da Força Aérea Brasileira (FAB), acessos ao Palácio do Planalto e encontros com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Os registros, que abrangem o período de 2023 a 2025, trazem detalhes sobre deslocamentos e presença em espaços restritos do poder federal, ao mesmo tempo em que contrastam com declaração pública do presidente de que não conhece a profissional.

Em mensagem datada de 24 de março de 2023, Roberta informa à mãe ter viajado para Brasília no que classificou como o “avião do Lula”. Dois dias antes, registros de entrada obtidos pela Lei de Acesso à Informação mostram que ela esteve no Palácio do Planalto, às 15h37, tendo inclusive enviado fotografia do local à família. Em outro relato, de novembro daquele ano, a lobista diz a uma assessora do governo da Bahia que embarcaria em aeronave da FAB acompanhada de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, acessando diretamente a base aérea, sem passar por terminal comercial.

Uma terceira mensagem, de fevereiro de 2024, menciona retorno de viagem à Organização das Nações Unidas (ONU) também em voo da FAB. Contudo, dados de deslocamento indicam que o trajeto da Europa ao Brasil na ocasião foi realizado em voo comercial da companhia TAP. As diferentes referências a deslocamentos em aeronaves oficiais levantam questionamentos sobre autorização, finalidade e acompanhamento de tais viagens, especialmente quando envolvem pessoas sem vínculo funcional com a administração pública.

Em entrevista à TV Globo, no dia 27 de agosto, o presidente Lula afirmou não ter qualquer contato com a lobista. “Nunca vi essa moça na minha vida. Nunca conversei com ela. Ela nunca esteve próxima de mim”, declarou, classificando-a ainda de forma desabonadora. Já nas mensagens atribuídas a Roberta, ela se refere repetidamente ao presidente como “pai do Fábio”. Em junho de 2025, escreveu estar “na sala do pai do Fábio”; em outubro de 2023, informou a interlocutor que permanecia na residência dele; e em outubro de 2024, relacionou a antecipação de uma viagem a Brasília ao tombo sofrido pelo presidente em sua residência oficial.

As suspeitas envolvendo Roberta Luchsinger, Lulinha e Antônio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS, são objeto de três inquéritos no Supremo Tribunal Federal. O principal deles apura indícios de tráfico de influência no âmbito do Ministério da Saúde, ligado especialmente à comercialização de medicamentos derivados da cannabis, como o canabidiol (CBD). Segundo as investigações, a lobista apresentava Lulinha como sócio em negociações, embora não conste sociedade formal entre os dois. Ambos atuaram também junto à empresa Cannabis World, de propriedade do Careca do INSS, voltada ao ramo de produtos medicinais.

A convergência entre as mensagens divulgadas e os objetos dos inquéritos reforça a importância de que os fatos sejam esclarecidos com celeridade e transparência. A população tem o direito de saber quem circula nas dependências dos prédios públicos, quem utiliza aeronaves de Estado e com que propósito. As apurações em curso no STF devem examinar cada elemento com isenção, ouvindo todas as partes envolvidas e apresentando conclusões baseadas em evidências. O respeito às instituições passa pela certeza de que as regras se aplicam de maneira igual a todos, independentemente de proximidade ou vínculos pessoais.

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Welesson Oliveira

Welesson Oliveira é jornalista brasileiro, especializado em política, combate à corrupção, segurança pública e geopolítica. Atua no jornalismo independente com foco em análises, reportagens investigativas e cobertura dos principais fatos do Brasil e do mundo.

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