Sebastião Coelho, candidato ao Senado, já declarou que é a favor da prisão de Alexandre de Moraes

O candidato ao Senado pelo Distrito Federal Sebastião Coelho, do Novo, voltou a elevar o tom das críticas contra o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Em vídeo divulgado na noite de quinta-feira, 3 de setembro, o ex-desembargador afirmou defender a prisão do magistrado e direcionou uma provocação às candidatas ao Senado Bia Kicis e Michelle Bolsonaro. A declaração ocorreu em meio ao agravamento da crise envolvendo Moraes e o ministro André Mendonça dentro da própria Corte.
A manifestação de Sebastião Coelho ocorreu depois de Moraes acusar Mendonça de improbidade administrativa, abuso de autoridade e crime de responsabilidade. O ministro encaminhou o documento ao presidente do STF, Edson Fachin, para que fossem adotadas as providências consideradas cabíveis no caso. Segundo a reportagem de Samara Schwingel e Isadora Teixeira, publicada pelo Metrópoles nesta sexta-feira, 4 de setembro, Moraes utilizou o chamado Inquérito das Fake News para pedir medidas contra o colega de Tribunal.
Nesse cenário, Sebastião Coelho aproveitou o episódio para cobrar um posicionamento público das duas adversárias na disputa pelo Senado no Distrito Federal. Ele questionou se Bia Kicis e Michelle Bolsonaro apoiavam André Mendonça e se também defendiam a prisão de Alexandre de Moraes. A fala colocou a disputa eleitoral local em contato direto com uma das principais crises políticas e institucionais atualmente envolvendo o STF.
Sebastião Coelho defende prisão de Moraes
Na gravação divulgada nas redes sociais, Sebastião Coelho afirmou que Moraes teria incluído Mendonça no Inquérito das Fake News, que segundo ele é conduzido de maneira secreta desde 2019. O candidato sustentou que apoiava Mendonça e declarou abertamente sua defesa da prisão de Moraes. Trata-se de uma posição política já conhecida de Coelho, que há anos mantém uma postura de confronto público com o ministro do Supremo.
A declaração ganhou peso porque foi feita justamente durante uma disputa envolvendo dois ministros do STF, em um momento de forte tensão institucional. Moraes acusou Mendonça de três possíveis infrações, entre elas improbidade administrativa, abuso de autoridade e crime de responsabilidade, e o pedido foi encaminhado a Fachin. A acusação, contudo, representa a posição apresentada por Moraes e não equivale, por si só, a uma comprovação das irregularidades apontadas.
Por isso, o episódio passou a ser explorado por setores da oposição como símbolo de uma disputa mais ampla sobre os limites de atuação dos ministros do Supremo. Sebastião Coelho utilizou esse ambiente para reforçar uma bandeira que já integra sua trajetória política desde que deixou a magistratura. Em 2022, ele já havia defendido publicamente a prisão de Moraes durante manifestações em Brasília, antes de posteriormente ingressar no Novo e lançar sua candidatura ao Senado.
Sebastião Coelho provoca Michelle e Bia Kicis
A parte mais diretamente relacionada à eleição ocorreu quando Sebastião Coelho decidiu mencionar nominalmente Michelle Bolsonaro e Bia Kicis. O candidato perguntou às duas se elas apoiavam André Mendonça e se defendiam a prisão de Alexandre de Moraes, transformando a questão institucional em uma cobrança direcionada às concorrentes. A estratégia também evidenciou a disputa pelo eleitorado de direita no Distrito Federal, onde diferentes nomes tentam se consolidar para a eleição ao Senado.
Michelle Bolsonaro e Bia Kicis aparecem, portanto, como personagens centrais da provocação feita pelo candidato do Novo, embora o episódio tenha ocorrido fora de um debate eleitoral formal. Bia Kicis já havia participado da convocação de uma manifestação prevista para 7 de setembro em Brasília com o tema “Fora, Moraes e Lula”, enquanto Sebastião Coelho também convocou um ato contra o ministro para a mesma data. O cenário mostra que a crítica a Moraes passou a ocupar espaço relevante nas estratégias públicas de diferentes candidatos que disputam votos entre eleitores oposicionistas.
A escolha de Sebastião Coelho por esse tema também está ligada à sua trajetória anterior na magistratura e à sua atuação política nos últimos anos. Ele deixou a vice-presidência e a corregedoria do Tribunal Regional Eleitoral do Distrito Federal em 2022 e passou a atuar como advogado depois de se aposentar da magistratura. Desde então, tornou-se uma figura conhecida entre grupos de direita por críticas ao STF e, particularmente, a Alexandre de Moraes.
Sebastião Coelho amplia confronto com Moraes
A nova declaração reforçou uma postura que já vinha sendo apresentada por Sebastião Coelho antes mesmo da atual crise envolvendo Moraes e Mendonça. Em 2025, por exemplo, o ex-desembargador chegou a ser detido após interromper uma sessão do STF durante o julgamento de uma denúncia contra Jair Bolsonaro e aliados. O episódio contribuiu para consolidar sua imagem pública como um dos candidatos mais críticos à atuação do Supremo.
Agora, com a proximidade das eleições de 2026, o confronto com Moraes passou a ocupar novamente o centro da estratégia política do candidato ao Senado. A provocação dirigida a Michelle Bolsonaro e Bia Kicis mostra que Sebastião Coelho também pretende transformar essa pauta em elemento de diferenciação diante de outras candidaturas da direita no Distrito Federal. Enquanto isso, a crise entre Moraes e Mendonça continua produzindo repercussões políticas e ampliando a pressão pública sobre o funcionamento interno do Supremo.





