Sergio Moro vê recado das urnas contra Lula após vitórias da direita no Sul

O governador eleito do Paraná, Sergio Moro (PL), avalia que os resultados das urnas no Sul do país refletem um movimento mais amplo de busca por renovação e insatisfação com o governo federal. Em entrevista ao programa Sem Rodeios, da Gazeta do Povo, nesta sexta-feira (9), Moro destacou a eleição dos três governadores da direita na região no primeiro turno e o desempenho de Flávio Bolsonaro (PL) na disputa presidencial como sinais desse cenário. “O Sul é 22”, resumiu, citando o número do Partido Liberal na urna.
Com mais de 3,1 milhões de votos, Moro relacionou seu próprio resultado e os de Jorginho Mello (PL-SC) e Luciano Zucco (PL-RS) ao descontentamento com a gestão petista. “É uma insatisfação generalizada com o governo Lula. Tem a questão do Supremo Tribunal Federal e a inflação de alimentos nas alturas. Tudo isso levou à rejeição do governo PT e do Lula, que é responsável por esse quadro negativo há mais de 20 anos”, afirmou. Ele citou ainda os casos envolvendo o Banco Master e descontos em benefícios de aposentados como parte de um conjunto de preocupações que pesaram na decisão do eleitor.
Para o governador eleito, a eleição demonstra uma preferência por pautas de centro e direita. “O eleitor apostou: vamos fazer diferente, vamos apostar nas pautas da direita, da centro-direita, da liberdade econômica, da liberdade de expressão. O caminho da prosperidade tem que ser tirar essas amarras da economia que tanto têm atravancado o nosso desenvolvimento”, declarou. Moro também sugeriu que o retorno de Lula ao Planalto, em 2022, é que poderia ser visto como o evento incomum da história recente. “Falava-se muito que a eleição do Bolsonaro em 2018 teria sido um acidente histórico… Confirmando-se a provável eleição do Flávio, talvez a gente possa dizer que o acidente histórico, na verdade, foi o retorno do Lula”, observou.
Entre as propostas que defende em âmbito nacional está uma reforma do Poder Judiciário, com mudanças na composição e nas atribuições do STF. “Nós vimos nesses quatro anos uma série de excessos e abusos no Poder Judiciário. Mais especificamente de parte dos ministros do STF, mas não se pode generalizar”, ponderou. Defende mandatos de 12 anos para os ministros e a transformação da Corte em um tribunal constitucional, com competências mais restritas. “Precisa ter uma reforma do Judiciário. E precisa também transformar o Supremo Tribunal Federal num tribunal constitucional. Tirar competência, por exemplo, do foro privilegiado”, explicou.
Ao analisar sua própria vitória, Moro atribuiu o resultado à trajetória pública construída ao longo dos anos, incluindo a passagem pelo Ministério da Justiça e a atuação no Senado. “Muitos analistas políticos fizeram o exame errado dessa eleição… essa eleição foi sempre sobre o nosso projeto. Foi sempre sobre a nossa trajetória e não sobre a do adversário”, afirmou. Ele também ressaltou que os paranaenses mantêm uma visão positiva sobre a Operação Lava Jato. “O paranaense tem orgulho da Lava Jato. O paranaense não caiu naquela narrativa mentirosa de que houve abuso… porque todo mundo que foi condenado e preso foi porque roubou o erário, roubou os cofres públicos. As provas da corrupção eram cabais”, disse.
Já para o governo do Paraná, Moro apresentou um conjunto de prioridades. Na segurança pública, pretende criar forças-tarefas especializadas e construir um presídio estadual de segurança máxima, que pretende chamar de “El Salvador”, para abrigar líderes de organizações criminosas. “Queremos mandar um recado forte ao mundo do crime. Se quer violar a lei, não faça no Paraná”, afirmou. Também planeja criar uma agência estadual anticorrupção e um código de ética para o funcionalismo público, resgatando parte da agenda que marcou sua atuação nacional.
Na gestão administrativa, a meta é reduzir custos e aumentar a eficiência. Moro quer cortar de 24 secretarias para um número menor, reunindo funções semelhantes. “Vamos cortar as secretarias, vamos aglutinar responsabilidades para ter uma gestão mais eficiente e mais econômica”, explicou. Na infraestrutura, destacou a duplicação da BR-277 como prioridade e prometeu criar um portal digital onde a população poderá acompanhar obras e serviços rodoviários em tempo real. “Queremos colocar em transparência digital ativa disponível para todo paranaense”, prometeu. Por fim, apontou a inovação e a tecnologia como caminhos para o desenvolvimento econômico do estado, sem perder a força da produção agrícola. “Conseguimos transformar não só no celeiro de alimentos que ele já é, mas no celeiro de inovação e tecnologia, que é o caminho da prosperidade para todos nós”, concluiu.





