Toffoli e Moraes sob pressão: nova pesquisa revela opinião dos brasileiros sobre impeachment

Pesquisa AtlasIntel: 60,5% defendem impeachment imediato de Toffoli; 49,8% de Moraes
Pesquisa AtlasIntel: 60,5% defendem impeachment imediato do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), enquanto 49,8% adotam a mesma posição em relação ao ministro Alexandre de Moraes, segundo levantamento AtlasIntel/Estadão divulgado nesta terça-feira (22). Os entrevistados foram questionados em meio à forte repercussão das investigações relacionadas ao Banco Master e às discussões recentes envolvendo integrantes da Corte. Entretanto, os percentuais devem ser compreendidos como retrato da opinião dos participantes da pesquisa no período em que o levantamento foi realizado, e não como conclusão jurídica sobre a conduta dos magistrados. No caso de Toffoli, outros 26,1% disseram que um impeachment deveria ocorrer somente se seu envolvimento com as irregularidades investigadas fosse comprovado. Já entre os entrevistados questionados sobre Moraes, essa resposta foi escolhida por 31,9%. Dessa maneira, a sondagem revela diferentes graus de apoio a uma eventual responsabilização, indo do afastamento imediato à exigência de comprovação prévia das suspeitas.
Pesquisa AtlasIntel: 60,5% defendem impeachment imediato de Dias Toffoli
No caso de Dias Toffoli, 60,5% dos participantes afirmaram considerar que já existem elementos suficientes para um impeachment imediato. Outros 26,1% defenderam que qualquer medida desse tipo deveria ser tomada apenas se e quando seu envolvimento no caso Master fosse efetivamente comprovado. Além disso, 6,5% disseram que o ministro não deveria sofrer impeachment, enquanto 6,8% não souberam responder. O resultado é particularmente relevante porque ocorre durante um período de aumento da desconfiança pública em relação ao Supremo. Outra parte da mesma rodada AtlasIntel/Estadão apontou que 60% dos entrevistados declaravam não confiar no STF, enquanto 34% afirmavam confiar na instituição. Ainda assim, percepção popular e responsabilidade jurídica são dimensões diferentes. Suspeitas divulgadas em investigações, reportagens ou documentos podem influenciar a opinião pública, porém eventual responsabilização de um ministro depende do procedimento constitucional e legal previsto para crimes de responsabilidade, com análise das acusações e direito de defesa.
Alexandre de Moraes registra resultado mais dividido no levantamento
Em relação a Alexandre de Moraes, o cenário apresentado pela pesquisa é mais dividido. Segundo o levantamento, 49,8% defendem impeachment imediato, enquanto 31,9% afirmam que a medida deveria ser adotada somente caso as investigações comprovem envolvimento do ministro no episódio relacionado ao Banco Master. Outros 15,1% se posicionaram contra um impeachment e 3,2% disseram não saber responder. Portanto, embora praticamente metade dos entrevistados tenha escolhido a opção de afastamento imediato, o resultado não representa maioria absoluta dos participantes, diferentemente dos 60,5% registrados no caso de Toffoli. Moraes passou a enfrentar novos pedidos de impeachment no Senado em setembro, apresentados por parlamentares e cidadãos que alegam possível crime de responsabilidade. O ministro, por sua vez, nega irregularidades relacionadas ao caso. Um dos pedidos protocolados no Senado permanece formalmente em tramitação e aguardava despacho, demonstrando que a existência de requerimentos não significa abertura automática de processo ou afastamento do cargo.
Caso Banco Master amplia pressão pública sobre integrantes do STF
O contexto da pesquisa ajuda a explicar por que as respostas ganharam repercussão. Nas semanas anteriores ao levantamento, mensagens e documentos reunidos em investigações sobre Daniel Vorcaro e o Banco Master passaram a gerar questionamentos envolvendo diferentes autoridades e pessoas próximas a integrantes do Supremo. Além disso, em 15 de setembro, o próprio STF realizou sessão para discutir questões processuais relacionadas a duas petições do caso Master. A análise foi interrompida depois de um pedido de vista do ministro Flávio Dino. Naquela sessão, Dias Toffoli declarou suspeição e Kassio Nunes Marques se considerou impedido. Portanto, o levantamento foi realizado em meio a uma cobertura intensa sobre a Corte e sobre suas relações institucionais com as investigações. Isso não permite afirmar, entretanto, que todas as percepções registradas pela pesquisa correspondam a fatos comprovados. Investigações ainda precisam ser concluídas, versões defensivas devem ser consideradas e eventuais responsabilidades individuais dependem de análise jurídica específica.
Impeachment de ministro do STF depende exclusivamente do Senado
Embora pesquisas possam medir pressão social, um ministro do Supremo não é afastado por votação popular. O artigo 52, inciso II, da Constituição estabelece que compete privativamente ao Senado Federal processar e julgar ministros do STF por crimes de responsabilidade. Esses crimes são disciplinados pela Lei nº 1.079, de 1950, que inclui hipóteses como julgar processo quando legalmente suspeito, exercer atividade político-partidária, agir com desídia manifesta ou adotar comportamento incompatível com a honra e o decoro das funções. Uma denúncia pode ser apresentada ao Senado e passa por análise antes de eventual avanço do processo. Historicamente, porém, nenhum pedido de impeachment contra ministro do Supremo foi aprovado pelo Senado. Consequentemente, os percentuais registrados pela AtlasIntel/Estadão mostram o posicionamento dos entrevistados, mas não determinam o destino institucional de Toffoli ou Moraes. Uma eventual perda do cargo dependeria de procedimento político-jurídico próprio, com etapas formais e deliberação dos senadores.
Metodologia ajuda a interpretar corretamente os números da pesquisa
O levantamento AtlasIntel/Estadão foi realizado entre 17 e 21 de setembro de 2026, por meio de recrutamento digital aleatório. O material divulgado por diferentes veículos informa amostra de 1.852 brasileiros, margem de erro de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, e nível de confiança de 95%. Portanto, como ocorre em qualquer pesquisa amostral, os números devem ser interpretados dentro dessa margem. Além disso, a formulação das alternativas é particularmente relevante: os entrevistados puderam diferenciar entre defender impeachment imediato, condicioná-lo à comprovação das suspeitas, rejeitar o impeachment ou declarar que não sabiam responder. Essa divisão fornece uma leitura mais detalhada do que simplesmente classificar os participantes entre favoráveis e contrários. Vale registrar que uma publicação da CNN informou amostra de 1.836 entrevistados para a mesma pesquisa, enquanto outras divulgações do levantamento, inclusive as relacionadas aos indicadores de confiança institucional, registram 1.852 participantes. Os percentuais sobre Toffoli e Moraes, contudo, aparecem de forma consistente nas fontes consultadas.
Pesquisa AtlasIntel expõe pressão, mas investigações seguem sem conclusão definitiva
Por fim, a Pesquisa AtlasIntel: 60,5% defendem impeachment imediato de Toffoli e 49,8% de Moraes revela uma fotografia de forte pressão sobre dois integrantes do Supremo em meio à repercussão do caso Banco Master. Ao mesmo tempo, 26,1% dos entrevistados condicionam uma eventual saída de Toffoli à comprovação de envolvimento, enquanto 31,9% fazem a mesma ressalva no caso de Moraes. Assim, os próprios números mostram que parte expressiva dos participantes diferencia suspeitas de responsabilidade comprovada. Essa distinção também é fundamental do ponto de vista jurídico. As investigações relacionadas ao Master continuam produzindo documentos, depoimentos e decisões processuais, enquanto diferentes autoridades citadas apresentam suas versões e negam irregularidades. Paralelamente, cabe ao Senado avaliar denúncias por crime de responsabilidade contra ministros do STF. Portanto, a pesquisa indica a temperatura da opinião pública em setembro de 2026, porém não substitui as investigações, o devido processo legal nem as decisões das instituições responsáveis por analisar eventual responsabilização dos magistrados.




