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Um ex-agente do governo israelense ajudou Flávio Bolsonaro a ir para os Estados Unidos com a família

Um ex-integrante do serviço de inteligência de Israel passou a ser investigado por suspeita de participação na operação que levou o senador Flávio Bolsonaro (PL) aos Estados Unidos, depois da derrota nas eleições presidenciais. Identificado como Menachem Booky Halevy, o israelense aparece nos registros de uma van que atravessou a fronteira entre o Brasil e a Argentina poucos minutos antes de outro veículo relacionado à viagem do parlamentar e de seus familiares. A informação foi revelada em reportagem do Fantástico, da TV Globo, exibida no domingo, 1º de novembro, e trouxe novos detalhes sobre a logística utilizada na saída do senador.

A investigação identificou Halevy como passageiro de uma van que entrou em território argentino sete minutos antes de outro veículo que, segundo a apuração, estaria ligado ao deslocamento da família Bolsonaro. No mesmo automóvel estavam o advogado Roberto Jorge Alexandre, que já atuou na defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro, e o motorista Neri Luiz Dala Corte. A presença do israelense nessa operação chamou a atenção dos investigadores por sua identificação como ex-oficial do serviço de inteligência de Israel, conhecido como Mossad.

A reportagem também apontou que Halevy esteve no Brasil quatro vezes ao longo de 2026, sendo a entrada mais recente registrada em 19 de outubro, pelo Aeroporto Internacional de Guarulhos. O israelense aparece em fotografias ao lado de autoridades de seu país, incluindo o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, embora esses registros, isoladamente, não comprovem sua participação em uma operação oficial do governo israelense. A apuração sobre sua possível atuação no deslocamento de Flávio considera os registros migratórios e a sequência de movimentações identificadas na região de fronteira.

Ex-agente israelense cruzou a fronteira antes de veículo ligado à família

Os documentos analisados pela reportagem indicaram que duas vans da empresa Iguaçu Dallas Travel Turismo Ltda. atravessaram a fronteira entre Foz do Iguaçu, no Paraná, e Puerto Iguazú, na Argentina, na noite de 27 de outubro. Halevy e o advogado Roberto Jorge Alexandre estavam no primeiro veículo, que passou pelo controle migratório aproximadamente sete minutos antes da outra van. A segunda condução tinha registros relacionados à esposa de Flávio, Fernanda, e às duas filhas do casal, além de informações vinculadas ao próprio senador.

O motorista Neri Luiz Dala Corte afirmou que havia sido contratado para transportar dois homens de um posto de gasolina em Foz do Iguaçu até o aeroporto de Puerto Iguazú. Em entrevista ao Fantástico, ele negou ter visto integrantes da família Bolsonaro durante o trajeto e disse que apenas cumpriu o serviço combinado. A declaração foi apresentada pela reportagem como parte das informações reunidas para esclarecer a movimentação dos veículos e a possível participação de terceiros.

A empresa Dallas Turismo também negou ter transportado Flávio ou seus familiares, apesar de os documentos consultados apontarem a utilização de vans associadas à companhia na travessia. A apuração verificou ainda que o endereço cadastrado pela empresa na Receita Federal correspondia a um estacionamento, onde trabalhadores disseram que a agência de turismo nunca havia funcionado. A responsável pelo local afirmou ter ligação familiar com uma representante da empresa, mas não forneceu o endereço dessa pessoa quando foi procurada.

Registros migratórios apontaram três entradas de Flávio na Argentina

Outro elemento que chamou a atenção dos investigadores foi a existência de três registros de entrada de Flávio na Argentina em um intervalo de aproximadamente 40 minutos. O primeiro apontamento ocorreu às 22h37, com a utilização de um passaporte italiano, enquanto os outros dois foram registrados às 22h40, com uma carteira de motorista, e às 23h11, com um passaporte brasileiro. Posteriormente, os dois registros feitos com documentos brasileiros foram cancelados, permanecendo válido o ingresso associado ao documento italiano.

A investigação também identificou uma diferença entre os registros migratórios e a movimentação que teria ocorrido no aeroporto de Puerto Iguazú. Embora os documentos apontassem a passagem terrestre do senador, a apuração indicou que ele teria chegado à cidade argentina em um voo procedente de Buenos Aires e permanecido dentro da aeronave por horas, aguardando a chegada da família. A sequência de deslocamentos e os diferentes registros passaram a integrar os questionamentos sobre como a operação foi organizada.

A Justiça argentina determinou a preservação de imagens das câmeras de segurança da fronteira e do aeroporto de Puerto Iguazú para auxiliar no esclarecimento dos acontecimentos. A deputada argentina Marcela Pagano afirmou que pediu explicações sobre possíveis irregularidades no controle migratório, a presença de escolta policial e a utilização de veículos oficiais, incluindo um automóvel com placa diplomática. As suspeitas apresentadas pela parlamentar ainda dependem de esclarecimento das autoridades responsáveis pelos procedimentos realizados na região.

Viagem aos Estados Unidos envolveu jato particular e outros deslocamentos

Depois de deixar a região de fronteira, Flávio seguiu para os Estados Unidos em um jato particular, acompanhado da esposa e das duas filhas. A aeronave fez uma escala em Guayaquil, no Equador, antes de chegar à região de Miami, na manhã de quarta-feira, 28 de outubro. A viagem internacional também passou a ser investigada por causa dos custos envolvidos e das pessoas apontadas como responsáveis pela organização do deslocamento.

O voo foi operado pela empresa argentina Baires Fly e teria custado US$ 150 mil, valor que foi informado em relatos publicados sobre a operação. A imprensa internacional apontou que Jason Miller, assessor do presidente norte-americano Donald Trump, teria participado da organização da viagem, enquanto informações divulgadas pela imprensa argentina mencionaram a presença de diferentes aeronaves e veículos como alternativas para o deslocamento. Essas informações foram apresentadas como parte da apuração jornalística, sem que todos os detalhes sobre os responsáveis pelo financiamento e pela logística tenham sido confirmados oficialmente.

A saída de Flávio ocorreu depois de uma determinação do Supremo Tribunal Federal relacionada à entrega de seus passaportes à Polícia Federal. O senador deixou o país sem cumprir a determinação antes de sua viagem, e o caso passou a envolver questionamentos sobre a possibilidade de terceiros terem colaborado para viabilizar o deslocamento internacional. O advogado Frederick Wassef, representante de Flávio, negou que a viagem tenha sido uma fuga e afirmou ao Fantástico que as informações sobre o trajeto não eram oficiais ou confirmadas, enquanto a assessoria de Willer Tomaz também negou que aeronaves ligadas ao advogado tenham sido utilizadas pelo senador ou por seus familiares.

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Welesson Oliveira

Welesson Oliveira é jornalista brasileiro, especializado em política, combate à corrupção, segurança pública e geopolítica. Atua no jornalismo independente com foco em análises, reportagens investigativas e cobertura dos principais fatos do Brasil e do mundo.

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