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Vários testes mostraram que a Meta AI no WhatsApp está gerando imagens apenas de Flávio e bloqueando as de Lula

Testes realizados com a inteligência artificial da Meta identificaram diferenças na criação de imagens eleitorais relacionadas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do PT, e ao senador Flávio Bolsonaro, do PL. Enquanto solicitações para produzir materiais com a expressão “Flávio 22” foram atendidas, pedidos semelhantes com “Lula 13” receberam respostas negativas no WhatsApp. O comportamento da ferramenta provocou questionamentos sobre a aplicação das regras eleitorais e a igualdade de tratamento entre os candidatos à Presidência da República.

O caso foi divulgado pelo jornal Estado de Minas em reportagem publicada nesta quarta-feira, 14 de outubro de 2026, em meio à disputa pelo segundo turno das eleições presidenciais. Os testes envolveram comandos semelhantes, nos quais os usuários pediram a criação de imagens com nomes e números associados aos candidatos, utilizando referências às cores verde e amarelo. A diferença nas respostas chamou a atenção porque as solicitações tinham objetivos semelhantes, mas produziram resultados distintos dentro do aplicativo de mensagens.

A Meta AI é uma ferramenta de inteligência artificial desenvolvida pela Meta, empresa responsável também pelo Facebook e pelo Instagram, que permite aos usuários fazer perguntas e solicitar a produção de conteúdos. No WhatsApp, o recurso pode criar imagens a partir de descrições escritas, incluindo elementos gráficos, cores, frases e composições visuais. Durante o período eleitoral, entretanto, a geração de materiais que possam funcionar como propaganda política passou a ser objeto de atenção por causa das regras destinadas a evitar favorecimentos entre candidaturas.

Testes identificam respostas diferentes para os candidatos

Nos testes relatados pelo Estado de Minas, um pedido para produzir uma arte com a frase “Lula 13”, acompanhada das cores verde e amarelo, foi recusado pela inteligência artificial. Em seguida, uma solicitação semelhante com a expressão “Flávio 22” foi processada, e o sistema produziu uma imagem sem apresentar o mesmo impedimento. A comparação apontou uma diferença de comportamento da ferramenta diante de comandos relacionados aos dois políticos que disputam a Presidência.

A reportagem também descreveu tentativas com variações nos nomes utilizados, incluindo referências a Lula e ao nome Luiz, que igualmente encontraram restrições. Em determinados testes, foi possível obter uma imagem genérica com o número 13 e, posteriormente, solicitar a inclusão de um nome, indicando que mudanças na formulação do comando poderiam alterar a resposta do sistema. Esses resultados, porém, não demonstram isoladamente qual mecanismo técnico provocou a diferença nem comprovam uma decisão deliberada de favorecer um candidato.

Em reportagens publicadas nesta quarta-feira, a Folha de S.Paulo e o Poder360 também relataram diferenças na geração de imagens eleitorais pela Meta AI. Os testes descritos pelos veículos indicaram que a ferramenta conseguia produzir materiais relacionados a Flávio Bolsonaro, mas recusava solicitações semelhantes envolvendo Lula. As publicações ampliaram a repercussão do episódio e levaram a discussão para além dos usuários que haviam identificado o comportamento durante o uso cotidiano do WhatsApp.

Meta afirma ter adotado medidas para cumprir regras eleitorais

Após ser questionada sobre as diferenças identificadas, a Meta afirmou que havia proibido temporariamente a recomendação de candidatos e a geração de imagens deles, em cumprimento às regras eleitorais brasileiras. A empresa também declarou ter adotado medidas adicionais para impedir que comandos com apenas o primeiro nome dos candidatos e seus números de urna resultassem na criação de materiais eleitorais. A manifestação apresentou a política aplicada pela companhia, embora os testes divulgados tenham indicado que a ferramenta ainda poderia produzir resultados diferentes em determinadas situações.

Em uma das interações relatadas pela imprensa, a própria inteligência artificial atribuiu a divergência a uma possível inconsistência de seu filtro automático de segurança. A ferramenta reconheceu que não deveria haver diferença no tratamento de figuras políticas e indicou que o sistema poderia bloquear um nome enquanto aceitava outro. Essa resposta, fornecida pelo chatbot, não equivale a uma explicação técnica independente sobre o funcionamento dos mecanismos internos da plataforma.

Mesmo depois das manifestações da empresa, novas tentativas descritas em reportagens encontraram situações em que pedidos envolvendo Flávio foram atendidos e solicitações relacionadas a Lula continuaram sendo recusadas. A Folha informou ainda que testes com contas vinculadas a números estrangeiros conseguiram gerar imagens de Lula que haviam sido bloqueadas em contas brasileiras. A diferença relatada entre as experiências reforçou os questionamentos sobre a consistência das restrições aplicadas conforme o comando e o contexto de utilização.

Campanha de Lula aciona a Justiça Eleitoral

A campanha de Lula e Geraldo Alckmin apresentou uma petição ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) nesta quarta-feira, apontando o comportamento da Meta AI como parte de suas reclamações sobre a atuação da plataforma durante a eleição. A coligação também sustenta que conteúdos relacionados ao presidente enfrentam limitações de alcance, enquanto materiais associados ao adversário receberiam tratamento diferente. Essas afirmações integram os argumentos apresentados pela campanha e ainda dependem da análise da Justiça Eleitoral.

Entre os pedidos encaminhados ao tribunal estão medidas para interromper as restrições que a coligação atribui à plataforma, apurar possíveis irregularidades e avaliar a recomposição do alcance que afirma ter perdido. O episódio acrescentou um novo elemento à discussão sobre o papel das empresas de tecnologia na disputa presidencial, especialmente diante do uso de inteligência artificial para produzir conteúdo político. Até que os órgãos competentes examinem os fatos, a diferença observada nos testes e as acusações de favorecimento devem ser tratadas separadamente de uma conclusão definitiva sobre eventual interferência eleitoral.

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Welesson Oliveira

Welesson Oliveira é jornalista brasileiro, especializado em política, combate à corrupção, segurança pública e geopolítica. Atua no jornalismo independente com foco em análises, reportagens investigativas e cobertura dos principais fatos do Brasil e do mundo.

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