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Um abaixo-assinado com mais de 1 milhão de adesões convenceu a Globo a adotar uma medida no debate

A Globo confirmou nesta quinta-feira, 22 de outubro, que haverá checagem das declarações feitas por Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) durante o debate presidencial marcado para esta sexta-feira, 23. A decisão ocorreu após uma mobilização que reuniu mais de 1 milhão de assinaturas em um abaixo-assinado que cobrava a verificação de informações durante o confronto. A checagem, porém, não será exibida dentro da transmissão televisiva nem terá interferência direta nas falas dos candidatos.

O trabalho será realizado pelo G1, por meio da página Fato ou Fake, que acompanhará o debate e publicará as verificações na internet enquanto o confronto estiver acontecendo. Segundo a Globo, a equipe começará a analisar as declarações ainda durante o programa e continuará o trabalho pela madrugada. A força-tarefa também contará com os sites dos jornais O Globo, Extra e Valor Econômico e com a Rádio CBN.

A mobilização pela checagem ganhou força depois do debate realizado pela Band no domingo, 18 de outubro, quando declarações dos dois candidatos foram posteriormente analisadas por serviços especializados em verificação de informações. O abaixo-assinado foi criado por Rafael Brito, de Curitiba, e passou a cobrar uma atuação mais direta da imprensa diante de afirmações consideradas falsas ou imprecisas. A pressão ocorreu justamente na semana do último debate entre Lula e Flávio antes do segundo turno, marcado para domingo, 25 de outubro.

Checagem será feita fora da transmissão da Globo

Apesar da confirmação, a Globo não adotará um sistema que interrompa ou interfira no debate para corrigir imediatamente uma declaração feita por Lula ou Flávio. As verificações serão produzidas paralelamente pela equipe do G1 e disponibilizadas na página Fato ou Fake, permitindo que o público consulte as análises enquanto acompanha o confronto pela televisão. Dessa forma, a emissora incorporou a checagem à cobertura jornalística do debate, mas manteve o programa sem intervenções externas durante as falas dos candidatos.

O comunicado divulgado pela emissora nesta quinta-feira informou que o G1 começará a checar as declarações ainda durante o encontro. O trabalho seguirá depois do encerramento do debate e avançará pela madrugada, com a participação de outros veículos de comunicação pertencentes ao grupo. A proposta é reunir uma equipe de jornalistas para identificar informações que necessitem de confirmação e publicar as respectivas verificações ao longo da noite.

A diferença entre checagem durante a transmissão e checagem dentro da transmissão é importante para entender a decisão da Globo. Os candidatos continuarão seguindo as regras estabelecidas para o debate, sem serem interrompidos por jornalistas ou receberem correções na tela enquanto estiverem falando. As análises ficarão disponíveis nos canais digitais da cobertura jornalística, permitindo que o público tenha acesso à verificação sem alterar a dinâmica do confronto televisivo.

Abaixo-assinado ultrapassou 1 milhão de assinaturas

A petição que pressionou pela medida foi criada na plataforma Change.org por Rafael Brito e ganhou adesões rapidamente depois do debate da Band. O documento argumentava que a imprensa deveria contribuir para que os eleitores identificassem informações incorretas ou distorcidas apresentadas pelos candidatos. A mobilização citava experiências internacionais de checagem em tempo real como referência para defender uma cobertura com mecanismos adicionais de verificação.

O movimento também recebeu apoio de outros grupos que discutiram a necessidade de mecanismos de controle sobre informações apresentadas em debates eleitorais. Uma iniciativa organizada por integrantes da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo reuniu milhares de assinaturas e sugeriu medidas para situações em que candidatos apresentassem informações consideradas falsas. A proposta chegou a defender advertências do mediador e, em caso de reincidência, consequências relacionadas ao tempo de fala.

A campanha de Lula também havia defendido a adoção da checagem em tempo real pela emissora, embora essa medida não fizesse parte das regras inicialmente acertadas para o debate. A pressão aumentou depois do confronto da Band, que teve troca de acusações entre os candidatos e provocou uma série de análises posteriores sobre as declarações apresentadas durante o programa. Com a decisão anunciada nesta quinta-feira, a Globo confirmou uma estrutura de verificação paralela para acompanhar o último debate do segundo turno.

Debate terá regras específicas para os candidatos

Além da checagem das informações na internet, a Globo estabeleceu regras específicas para a movimentação dos candidatos durante o confronto. Nos três primeiros blocos, quem estiver falando poderá circular livremente pelo cenário, enquanto o adversário deverá permanecer em seu púlpito até chegar o momento de responder. A regra foi incluída depois de Flávio ter sido criticado por se posicionar algumas vezes atrás de Lula durante o debate da Band, em movimentos que tiveram grande repercussão nas redes sociais.

O debate será realizado depois do Jornal Nacional, por volta das 21h30 desta sexta-feira, e terá quatro blocos de perguntas e respostas, além das considerações finais. Os três primeiros blocos terão temas determinados, enquanto o quarto será de tema livre, com oito minutos de fala para cada candidato e possibilidade de movimentação dentro do próprio lado do cenário. O encontro também será transmitido pela GloboNews, pelo Globoplay e pelo G1, enquanto o Jornal da Globo exibirá entrevistas e análises de comentaristas políticos após o confronto.

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Welesson Oliveira

Welesson Oliveira é jornalista brasileiro, especializado em política, combate à corrupção, segurança pública e geopolítica. Atua no jornalismo independente com foco em análises, reportagens investigativas e cobertura dos principais fatos do Brasil e do mundo.

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