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A Polícia Federal deflagrou uma operação nestas quinta-feira (29), tendo o pastor Márcio Poncio como alvo

A Polícia Federal deflagrou nesta quinta-feira, 29 de outubro de 2026, a nona fase da Operação Unha e Carne, que investiga suspeitas de lavagem de dinheiro e ocultação de patrimônio no Rio de Janeiro. A nova etapa prevê o cumprimento de quatro mandados de busca e apreensão em endereços localizados na Barra da Tijuca, na Zona Oeste da capital fluminense, por determinação do Supremo Tribunal Federal (STF). A investigação apura uma organização criminosa suspeita de utilizar empresas, bens de alto valor e estruturas financeiras para dissimular a origem de recursos e esconder a propriedade de patrimônios.

A operação é um desdobramento de uma investigação mais ampla sobre um esquema que, segundo a Polícia Federal, movimentou aproximadamente R$ 7,6 bilhões em seis anos. A apuração envolve uma rede de postos de combustíveis e empresas que teriam sido utilizadas para movimentar recursos suspeitos, além de possíveis conexões com agentes públicos e estruturas de proteção político-institucional. Nesta nova fase, os investigadores procuram aprofundar a análise de bens, empresas e movimentações financeiras atribuídas ao grupo investigado.

Os mandados desta quinta-feira foram expedidos pelo STF e têm como objetivo recolher documentos, dispositivos eletrônicos e registros contábeis que possam esclarecer a movimentação de dinheiro e a titularidade de bens. Entre os endereços estão salas comerciais apontadas como estruturas operacionais e administrativas da organização, além de um imóvel residencial ligado a um dos principais operadores identificados pela investigação. Os nomes dos alvos desta etapa não foram divulgados, e a realização das buscas não significa, por si só, que os investigados tenham sido condenados por algum crime.

PF deflagra nova fase para rastrear patrimônio e dinheiro suspeito

A nona fase da Operação Unha e Carne teve origem na análise de informações obtidas após a quinta etapa da investigação, realizada em julho de 2026. Naquela ocasião, a Polícia Federal apreendeu um celular que, depois de examinado, teria revelado novos endereços, estruturas empresariais e ativos relacionados ao grupo investigado. Os dados extraídos do aparelho levaram os investigadores a aprofundar as suspeitas sobre a existência de uma rede patrimonial utilizada para administrar recursos e ocultar a propriedade de bens.

Segundo a Polícia Federal, a apuração identificou indícios de uma estrutura que envolveria imóveis de alto padrão, aeronaves executivas, veículos de luxo e empresas. Parte desses bens estaria formalmente registrada em nome de familiares, colaboradores ou terceiros, embora os investigadores suspeitem que integrantes do grupo continuassem exercendo controle sobre o patrimônio. A hipótese é de que a utilização de diferentes titulares e empresas dificultaria a identificação dos verdadeiros beneficiários dos recursos.

A investigação também aponta o possível uso recorrente de dinheiro em espécie e movimentações financeiras consideradas incompatíveis com a rastreabilidade esperada para operações regulares. Empresas brasileiras e estrangeiras, holdings patrimoniais e entidades religiosas aparecem entre as estruturas que estão sendo examinadas pelos investigadores. A Polícia Federal busca esclarecer se esses mecanismos foram empregados para afastar formalmente os bens de seus supostos proprietários reais e dificultar o rastreamento de recursos de origem ilícita.

Operação Unha e Carne investiga esquema bilionário com postos de combustíveis

A Operação Unha e Carne ganhou dimensão ao longo de diferentes fases, que passaram a investigar suspeitas de corrupção, vazamento de informações, lavagem de dinheiro e possíveis relações entre integrantes do poder público e grupos criminosos. Uma das frentes apura a utilização de uma rede de postos de combustíveis como plataforma para movimentar e dissimular recursos. Um relatório de inteligência financeira do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) apontou movimentações suspeitas que chegaram a R$ 7,6 bilhões em seis anos.

Na oitava fase, realizada em 15 de outubro, a Polícia Federal cumpriu mandados de prisão preventiva e de busca e apreensão em diferentes municípios do estado do Rio de Janeiro. A Justiça também determinou o sequestro de bens e valores e a suspensão das atividades econômicas de empresas apontadas como integrantes da estrutura investigada. De acordo com as autoridades, a rede incluía dezenas de postos de combustíveis e outras empresas que poderiam ter sido utilizadas para camuflar recursos de origem criminosa.

As fases anteriores também alcançaram políticos, agentes públicos e outros suspeitos de participação em diferentes núcleos da investigação. A apuração começou com suspeitas relacionadas ao vazamento de informações de uma operação policial e se expandiu para outras possíveis irregularidades identificadas a partir de materiais apreendidos. Os investigadores continuam examinando se as diferentes frentes fazem parte de uma estrutura criminosa mais ampla e qual teria sido a participação individual de cada pessoa envolvida.

Buscas no Rio podem ampliar investigação sobre ocultação de patrimônio

Na nova etapa, a coleta de documentos e equipamentos eletrônicos poderá fornecer informações adicionais sobre a movimentação financeira e a administração dos bens relacionados aos investigados. Os registros contábeis também podem ajudar a identificar relações entre empresas, pessoas físicas e eventuais beneficiários das operações examinadas. A análise desse material será importante para verificar as suspeitas levantadas a partir dos dados extraídos do celular apreendido em uma fase anterior.

A Polícia Federal procura esclarecer se imóveis, aeronaves, veículos de luxo e participações empresariais foram utilizados para ocultar patrimônio ou dissimular a origem de recursos. A investigação também pretende estabelecer a relação entre essas estruturas e as movimentações financeiras consideradas suspeitas, além de identificar possíveis responsáveis por cada operação. Até que as apurações sejam concluídas e as responsabilidades sejam avaliadas pela Justiça, as suspeitas devem ser tratadas como parte de uma investigação em andamento.

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Welesson Oliveira

Welesson Oliveira é jornalista brasileiro, especializado em política, combate à corrupção, segurança pública e geopolítica. Atua no jornalismo independente com foco em análises, reportagens investigativas e cobertura dos principais fatos do Brasil e do mundo.

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