Últimas Notícias

Aliados de Romeu Zema, candidato à Presidência, disseram que é grande a pressão para ele desistir

Romeu Zema, candidato do Novo à Presidência da República, decidiu manter sua candidatura mesmo diante de pressões para que abandone a disputa antes do primeiro turno das eleições de 2026. Segundo aliados ouvidos pela CNN Brasil, o ex-governador de Minas Gerais não estaria considerando desistir e pretende seguir com a campanha até o fim. As movimentações ganharam força nos últimos dias, quando integrantes do próprio partido e políticos alinhados a Flávio Bolsonaro passaram a defender uma concentração de votos no candidato do PL.

A pressão sobre Zema teria vindo de diferentes grupos políticos, incluindo integrantes do Partido Liberal, aliados de Flávio Bolsonaro, membros do Novo e pessoas próximas ao governador mineiro Mateus Simões, que disputa a reeleição em Minas Gerais. Nos bastidores, a possibilidade de retirada da candidatura já havia sido discutida durante a pré-campanha, mas vinha sendo negada pela equipe de Zema. Agora, com a proximidade do primeiro turno, o assunto voltou a ganhar espaço nas articulações políticas.

A situação se intensificou depois da desistência de Ricardo Salles, do Novo, que retirou sua candidatura ao Senado por São Paulo e passou a apoiar nomes ligados ao PL e ao grupo político de Tarcísio de Freitas. O movimento foi acompanhado por manifestações em defesa de uma união das candidaturas de direita ainda no primeiro turno, o que aumentou a pressão sobre Zema. Apesar disso, interlocutores do candidato afirmaram à CNN que a campanha presidencial continuará mantida.

Pressão dentro do Novo aumenta na reta final

A discussão sobre a permanência de Zema também envolve integrantes do próprio Novo que passaram a defender publicamente uma mudança de estratégia. Ricardo Salles, por exemplo, afirmou que continuaria apoiando Zema enquanto ele permanecesse como candidato, mas declarou que uma eventual decisão de retirar a candidatura para apoiar Flávio Bolsonaro teria seu respaldo. Outros integrantes da legenda também já haviam manifestado apoio individual ao candidato do PL, movimento que foi autorizado por Zema para a primeira etapa da eleição.

Em Minas Gerais, a pressão também passou a envolver aliados do governador Mateus Simões, segundo os relatos publicados pela CNN Brasil. A movimentação ocorre porque Simões disputa a reeleição no estado e busca ampliar sua presença entre eleitores alinhados ao campo político de Flávio Bolsonaro. Ao mesmo tempo, a permanência de Zema na corrida presidencial mantém uma candidatura do Novo separada das articulações que tentam concentrar parte do eleitorado de direita em torno do candidato do PL.

O candidato do Novo, porém, vinha sinalizando uma posição diferente da defendida por esses grupos. Em declaração pública nesta terça-feira, Zema afirmou que levaria sua campanha até o último minuto e disse ter compromisso com o partido, seus apoiadores e seus próprios princípios. Ele também afirmou que considera normal a perda de apoio político durante uma eleição e indicou que continuaria apresentando suas propostas até a votação.

Desempenho nas pesquisas entra nas discussões

O desempenho de Zema nas pesquisas eleitorais passou a fazer parte das conversas sobre uma possível desistência. Levantamento Quaest divulgado em 28 de setembro registrou o candidato do Novo com 1% das intenções de voto no primeiro turno, enquanto Lula aparecia com 39%, Flávio Bolsonaro com 34%, Augusto Cury e Ronaldo Caiado com 4% cada e Renan Santos com 3%. A pesquisa ouviu 2.004 eleitores entre 24 e 27 de setembro, com margem de erro de dois pontos percentuais.

Apesar dos números registrados no levantamento, a campanha de Zema não indicou mudança em sua estratégia. A equipe do candidato sustenta que a candidatura permanece de pé e que ele seguirá percorrendo o país e apresentando suas propostas até o primeiro turno. Dessa maneira, a pressão política passou a coexistir com uma posição pública de manutenção da candidatura, enquanto diferentes grupos continuam discutindo a possibilidade de uma concentração de votos.

A situação também foi influenciada pela decisão de outros nomes do campo político de declarar apoio a Flávio Bolsonaro antes do primeiro turno. Marina Helena, candidata do Novo em São Paulo, já havia anunciado apoio ao candidato do PL, enquanto Ricardo Salles retirou sua candidatura ao Senado e passou a apoiar candidatos apoiados por Tarcísio de Freitas. Mesmo diante desses movimentos, Zema autorizou integrantes do Novo a fazerem suas próprias escolhas eleitorais, mas manteve sua candidatura presidencial.

Zema mantém campanha até o primeiro turno

Outro elemento que ganhou importância nos últimos dias foi a posição de Tarcísio de Freitas sobre a união das candidaturas da direita. O governador de São Paulo afirmou que seria positivo reunir essas candidaturas em torno de Flávio Bolsonaro ainda no primeiro turno e citou a possibilidade de uma movimentação semelhante à ocorrida com Ricardo Salles. Tarcísio também declarou que respeitava as candidaturas que permanecessem na disputa, mas esperava contar com esses grupos em uma eventual articulação no primeiro ou no segundo turno.

Zema, por sua vez, manteve uma posição pública de continuidade e afirmou que pretende chegar à votação como candidato do Novo. A decisão também ocorre depois de informações de que a campanha de Flávio Bolsonaro vinha mantendo conversas com pessoas do entorno do ex-governador mineiro sobre uma possível retirada. Segundo relatos publicados pelo UOL, a equipe de Zema rejeitou a possibilidade e seu vice, Eduardo Girão, afirmou que não havia perspectiva de desistência da chapa.

Enquanto a pressão continua nos bastidores, a candidatura de Zema permanece oficialmente na disputa presidencial de 2026. A campanha deverá seguir concentrada nas agendas previstas para os últimos dias antes do primeiro turno, enquanto as articulações entre Novo, PL e outros grupos políticos continuam sendo acompanhadas. Até o momento das declarações mais recentes, aliados do candidato afirmavam que ele não cogitava abandonar a corrida ao Palácio do Planalto.

Debate eleitoral também entra nas articulações

A permanência de Zema na disputa ocorre paralelamente a uma discussão sobre sua participação no último debate presidencial antes do primeiro turno. A Globo marcou o confronto para 1º de outubro, mas as regras e os critérios para preenchimento de eventuais vagas abertas por ausências ainda eram alvo de questionamentos pelas campanhas de Zema e Renan Santos. O time de Zema ainda buscava uma possibilidade de participação caso fossem considerados critérios relacionados ao número de deputados eleitos pelo partido.

No cenário descrito pela CNN Brasil, a ausência de Lula poderia abrir uma discussão sobre quais candidatos seriam chamados para ocupar uma eventual vaga adicional. Flávio Bolsonaro havia confirmado presença, enquanto Ronaldo Caiado e Augusto Cury também tinham vagas previstas pelas regras relacionadas à representação partidária. Assim, a campanha de Zema continuava atuando tanto para manter sua candidatura quanto para garantir espaço na reta final da exposição eleitoral.

Mostrar mais

Welesson Oliveira

Welesson Oliveira é jornalista brasileiro, especializado em política, combate à corrupção, segurança pública e geopolítica. Atua no jornalismo independente com foco em análises, reportagens investigativas e cobertura dos principais fatos do Brasil e do mundo.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *