Após a reeleição, Lula vem sendo aconselhado pelos aliados a escolhe rum nome para o STF ainda este ano

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem recebido conselhos de aliados para escolher ainda em 2026 um nome de consenso para ocupar a vaga aberta no Supremo Tribunal Federal (STF). A recomendação é que o presidente procure uma indicação com apoio do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), e das principais lideranças da Casa, evitando uma nova derrota política no Congresso. Entre os integrantes do governo e parlamentares que defendem essa estratégia, o ex-presidente do Senado Rodrigo Pacheco, atualmente ministro do Tribunal de Contas da União (TCU), aparece como a principal alternativa.
A movimentação ocorre depois que Lula sinalizou a interlocutores a intenção de insistir no nome do advogado-geral da União, Jorge Messias, para a cadeira deixada pelo ministro Luís Roberto Barroso. Apesar da preferência manifestada pelo presidente, Messias enfrenta resistência entre senadores, principalmente depois de sua indicação ter sido rejeitada em abril, por 42 votos a 34. O resultado representou uma derrota importante para o governo e levou aliados a defenderem uma negociação mais ampla antes de uma nova escolha.
De acordo com informações divulgadas pela Itatiaia, a orientação recebida por Lula é construir previamente um entendimento com as lideranças do Senado, em vez de apresentar um nome sem apoio suficiente para atravessar a sabatina e a votação. A preocupação dos articuladores é que uma nova rejeição provoque desgaste na relação entre o Palácio do Planalto e o Legislativo, além de deixar a vaga no Supremo sem uma solução por mais tempo. A tentativa de concluir o processo ainda neste ano também considera que a composição do Senado mudará a partir de fevereiro de 2027, quando novos parlamentares assumirão seus mandatos.
Rodrigo Pacheco ganha força como alternativa a Jorge Messias
Rodrigo Pacheco é apontado como o nome preferido dos aliados que defendem uma indicação com maior possibilidade de aprovação no Senado. O ex-presidente da Casa já contava com o apoio de Davi Alcolumbre antes de Lula escolher Jorge Messias para a vaga no Supremo, o que tornou sua eventual indicação parte das negociações políticas entre o governo e o comando do Legislativo. Atualmente no Tribunal de Contas da União, Pacheco mantém relações construídas durante sua passagem pela presidência do Senado e é considerado por esses articuladores uma alternativa capaz de reunir apoio de diferentes grupos parlamentares.
A defesa do nome de Pacheco não significa que Lula tenha abandonado definitivamente a possibilidade de indicar novamente Jorge Messias. O presidente já demonstrou a pessoas próximas que gostaria de manter sua escolha inicial, mas a resistência encontrada no Senado tornou mais complexa a tentativa de viabilizar essa decisão. Para os aliados que recomendam uma alternativa, o principal objetivo é evitar que o governo enfrente outra votação desfavorável em uma indicação considerada estratégica para a composição do Supremo.
A escolha também envolve a participação de Davi Alcolumbre nas articulações, já que o presidente do Senado é apontado como um dos principais defensores de Pacheco. A relação entre Lula e Alcolumbre passou por uma aproximação durante o período eleitoral, quando o presidente apoiou candidatos ligados ao senador no Amapá e propostas de interesse do governo avançaram na Casa. Esse relacionamento é considerado por integrantes da articulação política um fator que pode facilitar um entendimento em torno do ex-presidente do Senado.
Mudança na composição do Senado aumenta pressão por decisão em 2026
Outro argumento apresentado pelos aliados de Lula é a alteração na composição do Senado a partir de fevereiro de 2027. As eleições de outubro ampliaram a presença de parlamentares de direita na Casa, cenário que poderá modificar as condições políticas para a aprovação de futuros indicados ao Supremo. O Partido Liberal, ligado ao ex-presidente Jair Bolsonaro e ao senador Flávio Bolsonaro, terá 28 cadeiras na próxima legislatura, sendo 19 conquistadas no pleito de 2026.
Diante dessa mudança, os articuladores defendem que Lula aproveite a atual composição do Senado para encaminhar uma indicação ainda neste ano. A avaliação desse grupo é que deixar a escolha para 2027 poderá aumentar as dificuldades de negociação, especialmente diante do crescimento da bancada de oposição e da necessidade de conquistar votos de diferentes setores políticos. Por isso, a recomendação é que o presidente converse com Alcolumbre e com as principais lideranças antes de formalizar o nome que será submetido à análise dos senadores.
A decisão, entretanto, ainda não foi anunciada pelo presidente, que deve amadurecer o assunto depois de um período de descanso durante o feriado de Finados. Além da indicação ao Supremo, o governo também precisa avançar em pautas consideradas prioritárias no Congresso, como a Proposta de Emenda à Constituição da Segurança Pública e o projeto da Lei Orçamentária Anual de 2027. A definição sobre a vaga deixada por Barroso deverá considerar, portanto, tanto a preferência pessoal de Lula quanto as condições políticas necessárias para obter aprovação.
Indicação depende de sabatina e aprovação do Senado
A escolha de um ministro do Supremo Tribunal Federal é uma atribuição do presidente da República, mas a indicação não se torna definitiva apenas com a decisão do chefe do Executivo. Pela Constituição, o nome escolhido precisa passar por uma sabatina na Comissão de Constituição e Justiça do Senado e, posteriormente, ser submetido à votação dos parlamentares. Para assumir a cadeira, o indicado deve receber pelo menos 41 votos favoráveis entre os 81 integrantes da Casa.
Esse procedimento explica a preocupação dos aliados em construir um acordo antes do envio de uma nova indicação, principalmente depois da rejeição de Jorge Messias. Enquanto Lula não anunciar oficialmente sua decisão, Rodrigo Pacheco continuará sendo apontado como uma alternativa pelos parlamentares que defendem um nome de consenso, sem que isso represente uma escolha já confirmada pelo presidente. A vaga aberta com a aposentadoria de Luís Roberto Barroso permanece à espera de um novo ministro, e a expectativa dos articuladores é que o processo seja encaminhado ainda em 2026.





