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Assessor de Trump fretou jato para fuga de Flávio Bolsonaro, diz mídia

Novos detalhes sobre a saída do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) do Brasil vêm à tona nesta quinta-feira, 29 de outubro. Segundo informações inicialmente divulgadas pelo jornal norte-americano The New York Times e confirmadas pelo portal Metrópoles, um assessor próximo ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, esteve envolvido nos preparativos da viagem que levou o parlamentar derrotado nas eleições presidenciais para a Flórida. O próprio secretário de Comunicação da Casa Branca, Jason Miller, teria confirmado sua participação direta nas tratativas, conforme revelou a reportagem.

Contatos com Eduardo Bolsonaro e cronologia da saída

O plano teria sido articulado com a colaboração de Eduardo Bolsonaro, ex-deputado federal e irmão de Flávio, que já reside nos Estados Unidos. Segundo fontes ouvidas pelo veículo internacional, as ações se intensificaram na segunda-feira, 26 de outubro, logo após o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, determinar a entrega dos passaportes do senador. A viagem foi realizada em um jato fretado, e a rota utilizada incluiu passagem pela Argentina e uma parada técnica no Equador para reabastecimento, antes do desembarque final em Miami na quarta-feira, 28 de outubro.

Entrada autorizada por visto humanitário

Flávio Bolsonaro viajou acompanhado da esposa e das duas filhas menores. A entrada no território norte-americano foi autorizada pessoalmente por Donald Trump por meio de um visto humanitário, com validade de um ano. O The New York Times revela ainda que há intenção de agilizar a concessão de residência permanente, o chamado “green card”, para o senador — medida semelhante à que já foi adotada em relação a seu irmão, Eduardo Bolsonaro. O documento permite a permanência legal no país por tempo indeterminado.

Trump diz não ter tomado partido, mas críticas prosseguem

Apesar de ter classificado o processo eleitoral brasileiro como “uma grande vergonha” em declarações públicas recentes, Trump mantém a posição de que não interferiu na disputa e que pretende manter diálogo com o presidente reeleito Luiz Inácio Lula da Silva. “Gosto muito dele e conversaremos”, afirmou. Já Flávio Bolsonaro seguiu questionando o resultado eleitoral logo após chegar aos Estados Unidos. Em primeira versão de uma carta publicada nas redes sociais, chegou a se intitular “presidente eleito”, mas rapidamente alterou o texto para se apresentar como “líder do Brasil”. Em nenhum momento apresentou provas que sustentassem suas alegações de irregularidades.

Inquéritos no STF seguem em andamento

Enquanto isso, os processos judiciais contra Flávio Bolsonaro prosseguem no Supremo Tribunal Federal. O senador é alvo de investigações que tratam de suspeitas de lavagem de dinheiro, corrupção e evasão de divisas. As apurações envolvem supostas negociações financeiras ligadas ao advogado Willer Tomaz e ao ex-controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro. A saída do país não interrompe o andamento dos inquéritos, que seguem tramitando conforme a legislação brasileira determina.

Cenário levanta questões diplomáticas e jurídicas

A combinação de todos esses elementos — a participação de um assessor da Casa Branca na saída de um investigado, a concessão de visto humanitário sem que houvesse pedido formal de asilo conhecido e a intenção de conceder residência permanente de forma acelerada — levanta uma série de questões que ainda precisam ser esclarecidas. Cabe agora às autoridades dos dois países fornecerem informações claras sobre os acontecimentos, de modo que a opinião pública possa compreender com transparência o que está em jogo. Que os fatos sejam apurados com serenidade, com respeito às leis e às instituições de cada nação envolvida.

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Welesson Oliveira

Welesson Oliveira é jornalista brasileiro, especializado em política, combate à corrupção, segurança pública e geopolítica. Atua no jornalismo independente com foco em análises, reportagens investigativas e cobertura dos principais fatos do Brasil e do mundo.

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