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Coordenador de Lula diz que Moraes tem “obrigação” de se explicar

O coordenador da campanha de Luiz Inácio Lula da Silva em São Paulo, o advogado Marco Aurélio de Carvalho, afirmou que o ministro Alexandre de Moraes tem o dever de prestar esclarecimentos sobre sua relação com o banqueiro Daniel Vorcaro e com o Banco Master. Em entrevista, o dirigente, que é também amigo pessoal do presidente, destacou que o governo não tem vínculo com a instituição financeira nem interfere nos trabalhos do Supremo Tribunal Federal, mas que a transparência é indispensável quando estão em causa a credibilidade e a confiança da sociedade.

Marco Aurélio reconheceu o papel relevante desempenhado por Moraes na defesa das instituições democráticas, mas ponderou que isso não isenta o magistrado de prestar contas. “Ele tem o nosso reconhecimento pelo que fez, mas isso não constitui salvo-conduto. Não dá direito a não se explicar, nem a ficar sob proteção. Ele, assim como qualquer cidadão, tem a obrigação de esclarecer os fatos”, declarou. Para ele, o dever de prestar contas vale igualmente para o presidente, para ex-presidentes, para candidatos e para cada ministro da Corte.

O advogado ressaltou ainda que a atuação em defesa da democracia não vai além do cumprimento de atribuição constitucional. “Ele cumpria o que a Constituição mandava. Isso gera reconhecimento, mas não cria privilégio algum. Não dá o direito de se ocultar ou de buscar proteção que não seja a própria lei”, afirmou. A avaliação sinaliza que, mesmo entre aliados que valorizam a trajetória recente do ministro, prevalece a exigência de clareza sobre os vínculos investigados.

Na visão do coordenador, a crise atual pertence ao Poder Judiciário e deve ser resolvida dentro dele. “O presidente Lula age com serenidade, buscando equilíbrio e apoiando o ministro presidente Edson Fachin na recuperação da credibilidade da Corte. Mas cabe ao Judiciário encontrar os caminhos institucionais para superar este momento”, explicou. A postura reforça a intenção de manter distância entre a gestão federal e as deliberações internas do Supremo, sem abrir mão da cobrança por procedimentos corretos.

Questionado sobre a atuação dos ministros Flávio Dino e Gilmar Mendes durante a sessão da terça-feira, 15, Marco Aurélio destacou a independência dos magistrados e dissociou suas posições da orientação do governo. “Se houvesse essa vinculação, o presidente não teria sido preso. Os ministros nomeados por ele decidem segundo suas convicções e respondem por seus votos. Não temos responsabilidade pelas escolhas de cada um”, disse. Mesmo assim, admitiu que o desenrolar dos acontecimentos gera certo constrangimento.

O advogado defendeu celeridade no andamento do processo, para que a Corte recupere a confiança da população. “Queremos que seja julgado com rapidez, para o bem do próprio Supremo. Toda instituição vive de credibilidade, e ela precisa ser restabelecida”, observou. A declaração coincide com momento em que aliados do presidente avaliam a conveniência de manter proximidade com Moraes, que negou ter trocado mensagens com Vorcaro e classificou os registros apresentados como “diálogos fantasiosos”. O desfecho do caso segue acompanhado com atenção por todo o país.

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Welesson Oliveira

Welesson Oliveira é jornalista brasileiro, especializado em política, combate à corrupção, segurança pública e geopolítica. Atua no jornalismo independente com foco em análises, reportagens investigativas e cobertura dos principais fatos do Brasil e do mundo.

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