Debate presidencial na Globo estava marcado para a noite da última quinta-feira, dia 1º de outubro

A TV Globo cancelou o debate presidencial que estava marcado para a noite de quinta-feira, 1º de outubro, a poucos dias do primeiro turno das eleições de 2026. O programa seria o último confronto entre os candidatos à Presidência antes da votação de domingo, 4 de outubro, mas acabou suspenso depois de uma sequência de decisões judiciais e da desistência de Flávio Bolsonaro (PL). A emissora informou que recebeu duas notificações que alteraram regras previamente acordadas com os partidos e, diante da situação, decidiu não realizar o encontro.
O cancelamento ocorreu quando alguns candidatos já estavam nos Estúdios Globo, no Rio de Janeiro, aguardando o início do programa. Ronaldo Caiado (PSD), Augusto Cury (Avante) e Romeu Zema (Novo) haviam comparecido à emissora, enquanto a participação de Flávio Bolsonaro estava confirmada até o começo da noite. Lula (PT), por sua vez, já havia informado que não participaria e havia escolhido conceder uma entrevista ao Flow Podcast no mesmo horário previsto para o debate.
A primeira decisão que interferiu diretamente no formato foi tomada pela ministra Estela Aranha, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que proibiu a exibição do púlpito vazio destinado a Lula. A magistrada também determinou que os candidatos presentes não poderiam formular perguntas dirigidas ao presidente ausente, modificando dois pontos que constavam das regras previamente estabelecidas para o programa. Segundo a decisão, a participação em debates é facultativa e a ausência não deveria produzir consequências consideradas coercitivas para o candidato.
TV Globo cancela debate após mudanças nas regras
A regra original da emissora previa que, caso um candidato não comparecesse, o espaço reservado a ele permaneceria vazio e identificado durante o debate. Também estava previsto que, em uma das rodadas de tema livre, os candidatos presentes poderiam formular perguntas ao concorrente ausente, seguindo o regulamento acertado anteriormente com as campanhas. Com a decisão do TSE, essas disposições foram alteradas horas antes da realização do programa, o que passou a exigir uma adaptação do formato planejado pela emissora.
De acordo com a TV Globo, a decisão sobre o púlpito vazio tornou inválida uma parte das regras que havia sido assinada pelos partidos participantes. A emissora afirmou que o regulamento havia sido estabelecido previamente e incluía o procedimento para casos de ausência de candidatos. Dessa maneira, a mudança judicial foi apresentada pela Globo como um dos fatores que comprometeram a realização do debate conforme o formato originalmente definido.
Na sequência, outra decisão judicial modificou novamente a composição do programa. O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou que Renan Santos, candidato do Missão, fosse incluído no debate, depois de pedidos anteriores para sua participação terem sido rejeitados. A inclusão ocorreu pouco antes do horário previsto para o encontro e acrescentou uma nova alteração às regras que já haviam sido modificadas pela decisão do TSE.
Desistência de Flávio Bolsonaro antecedeu cancelamento
A desistência de Flávio Bolsonaro ocorreu enquanto as discussões sobre a participação de Renan Santos ainda estavam em andamento. O candidato do PL anunciou nas redes sociais que não compareceria ao debate e atribuiu sua decisão à determinação da ministra Estela Aranha sobre o púlpito reservado a Lula. Em sua manifestação, Flávio utilizou o termo censura para se referir à decisão judicial e afirmou que a imprensa deveria ser livre e as eleições, limpas.
Poucos minutos depois do anúncio de Flávio, Gilmar Mendes determinou a participação de Renan Santos no encontro. A decisão alterou novamente a composição de um debate que já estava sendo preparado com base em regras previamente divulgadas e acordadas entre a emissora e os partidos. Segundo a Globo, as sucessivas determinações judiciais produziram uma situação de insegurança jurídica e interferiram na organização do programa.
Com a desistência de Flávio e a ausência previamente anunciada de Lula, a Globo decidiu cancelar integralmente o debate. Em nota, a emissora afirmou que as decisões judiciais recebidas haviam interferido nas regras combinadas e que, por essa razão, não seria possível realizar o programa conforme planejado. O cancelamento foi anunciado por volta das 20h30, aproximadamente uma hora antes do horário inicialmente previsto para o confronto entre os presidenciáveis.
TV Globo cancela debate pela primeira vez desde 2002
O episódio teve ainda um caráter inédito na trajetória recente da emissora, pois a Globo não havia cancelado integralmente um debate presidencial antes do primeiro turno desde que passou a realizar esse tipo de programa em 2002. A emissora afirmou que sua tradição de organizar debates tinha como objetivo permitir a discussão de propostas e oferecer aos eleitores a possibilidade de comparar os candidatos. Neste caso, porém, as mudanças ocorridas nas horas anteriores foram apontadas como motivo para a suspensão do evento.
Após o anúncio, candidatos que estavam nos estúdios se manifestaram sobre o cancelamento e apresentaram interpretações diferentes sobre os acontecimentos. Caiado e Zema criticaram as decisões judiciais, enquanto Cury também defendeu mudanças relacionadas ao funcionamento do STF, e Renan Santos responsabilizou as ausências de Lula e Flávio pelo desfecho. Essas declarações representam posicionamentos dos próprios candidatos e ocorreram depois que a Globo confirmou oficialmente o cancelamento.
O cancelamento aconteceu na reta final do primeiro turno e retirou da programação televisiva o último debate presidencial previsto antes da votação de 4 de outubro. O episódio reuniu, em poucas horas, decisões do TSE e do STF, mudanças nas regras do programa, a desistência de Flávio Bolsonaro e a ausência previamente anunciada de Lula. Com isso, um debate que já estava preparado e contava com candidatos presentes acabou sendo cancelado antes de ir ao ar.





