Documentos mostram que Daniel Vorcaro ficou sabendo que queriam prendê-lo

Documentos analisados pela Polícia Federal indicam que Daniel Vorcaro tinha informações antecipadas sobre a investigação que poderia resultar em sua prisão. O ex-banqueiro do Banco Master teria recebido alertas sobre o avanço das apurações e passou a buscar informações sobre as medidas que poderiam ser adotadas contra ele. A suspeita é sustentada por mensagens, anotações e outros registros encontrados no material apreendido pelos investigadores.
A prisão ocorreu em 17 de novembro de 2025, no Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos, quando Vorcaro se preparava para embarcar em um jato particular com destino a Malta. Segundo a PF, a viagem passou a ser interpretada como uma tentativa de deixar o país antes de uma eventual ordem judicial contra o ex-banqueiro. Naquele mesmo dia, o Banco Central determinou a liquidação do Banco Master, decisão que foi anunciada posteriormente.
As informações reunidas pela investigação apontam que Vorcaro já acompanhava a situação desde outubro e teria obtido dados sobre pessoas envolvidas nas apurações. Contatos com advogados, funcionários do Banco Central e outras pessoas aparecem nos registros examinados pela PF. A defesa, por sua vez, afirma que ele não tinha conhecimento de qualquer mandado de prisão e sustenta que a viagem tinha finalidade legítima.
Mensagens mostram preocupação de Vorcaro antes da prisão
Entre os registros analisados estão conversas mantidas nos dias imediatamente anteriores à prisão, nas quais Vorcaro buscava informações sobre o que poderia acontecer com ele. Em 15 de novembro de 2025, dois dias antes de ser detido, ele perguntou a um interlocutor se já deveria deixar o país na segunda-feira. No dia seguinte, informou que estava em um voo e que iria diretamente ao encontro de uma autoridade depois do pouso.
A PF também encontrou mensagens nas quais Vorcaro questionava quem seria o responsável pela condução do caso e procurava saber se autoridades tinham conhecimento da situação. Em outro momento, o ex-banqueiro perguntou se alguma providência poderia ser tomada para impedir ou adiar uma medida que atingisse o Banco Master. Os investigadores identificaram ainda referências a pedidos dirigidos a Andrei Rodrigues, então diretor-geral da Polícia Federal, e Paulo Gonet, procurador-geral da República.
De acordo com o relatório, Vorcaro chegou a enviar 12 capturas de tela relacionadas a encontros com o ministro Alexandre de Moraes durante o período que antecedeu sua prisão. A documentação menciona pelo menos seis encontros entre os dois, embora a própria investigação ressalve que nem todas as reuniões citadas nas mensagens foram confirmadas de forma independente. O material também registra tentativas do ex-banqueiro de obter informações sobre o andamento das apurações.
Ex-banqueiro teria tentado justificar viagem ao exterior
Os documentos também indicam que Vorcaro buscou construir uma justificativa para sua saída do Brasil pouco antes da prisão. Segundo a Folha, ele realizou uma reunião de última hora com o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, e apresentou a viagem como uma agenda empresarial que teria como destino Dubai. Para a Polícia Federal, porém, o contexto levantou suspeitas de que o deslocamento estivesse relacionado à intenção de deixar o país antes de ser preso.
A movimentação ocorreu enquanto o ex-banqueiro tentava acompanhar diferentes frentes de investigação envolvendo o Banco Master. Mensagens recuperadas do celular mostram que ele procurava informações sobre autoridades, órgãos de investigação e possíveis medidas contra a instituição financeira. Em uma das conversas, Vorcaro chegou a perguntar se uma decisão poderia ser bloqueada, reforçando, segundo a PF, a percepção de que ele tinha preocupação concreta com uma possível intervenção das autoridades.
O caso ganhou novos elementos com a divulgação de documentos extraídos do aparelho celular de Vorcaro, que também revelaram contatos com integrantes do Judiciário, do Ministério Público e do Banco Central. Parte das mensagens registra pedidos de ajuda e tentativas de acompanhar o avanço das investigações sobre o Master. A PF ainda apura se informações sigilosas foram repassadas ao ex-banqueiro por pessoas com acesso às apurações oficiais.
Defesa nega que Vorcaro soubesse da ordem de prisão
Apesar das conclusões apontadas pela Polícia Federal, a defesa de Daniel Vorcaro contesta a interpretação dada às movimentações registradas antes da prisão. Os advogados afirmam que ele não sabia que existia um mandado contra sua pessoa e sustentam que a viagem ao exterior estava relacionada a compromissos legítimos. Dessa forma, a versão apresentada pela defesa é diferente da hipótese de tentativa de fuga considerada pelos investigadores.
A documentação, entretanto, passou a integrar o conjunto de elementos utilizados para reconstruir os últimos dias de Vorcaro antes da detenção. As mensagens reveladas mostram que ele estava preocupado com o avanço das investigações e buscava informações sobre possíveis providências das autoridades. O conteúdo também será analisado no contexto mais amplo das apurações sobre o Banco Master e das relações mantidas pelo ex-banqueiro com integrantes de diferentes instituições.





