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Em entrevista exclusiva ao Fantástico, Janones contou detalhes sobre o canal com mais de 10 milhões de inscritos

O deputado federal André Janones (Rede-MG) afirmou que não pretende assumir um ministério no quarto governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), apesar da repercussão alcançada por sua atuação na campanha eleitoral. Em entrevista exclusiva ao Fantástico, exibida no domingo, 1º de novembro, o parlamentar declarou que continuará na Câmara dos Deputados e pretende manter sua participação na articulação política e digital em defesa do presidente. Janones também falou sobre o chamado “Exército do Lula”, canal de mensagens que ultrapassou 10 milhões de participantes nas três semanas anteriores ao segundo turno.

A declaração afastou as especulações sobre uma possível entrada do deputado na equipe ministerial ou em uma função oficial ligada à comunicação do governo. Segundo Janones, ocupar um ministério significaria ficar sujeito a compromissos burocráticos, reuniões e limitações que poderiam reduzir sua liberdade de atuação. Ele afirmou que deseja continuar trabalhando diretamente na mobilização de apoiadores e na defesa das iniciativas do presidente dentro e fora das redes sociais.

A reportagem do Fantástico acompanhou a rotina do parlamentar depois da vitória de Lula e mostrou como o canal de WhatsApp foi utilizado durante a campanha. Janones administrava pessoalmente o espaço, enviando mensagens e orientações para que os participantes compartilhassem conteúdos favoráveis ao candidato petista. O deputado também comentou a repercussão internacional da estratégia, as críticas recebidas e episódios controversos de sua trajetória política.

Janones explica por que não pretende assumir um ministério

Durante a entrevista, Janones foi direto ao afirmar que não aceitará um cargo ministerial no novo governo. “Eu não vou aceitar nenhum ministério”, declarou, acrescentando que pretende continuar na Câmara dos Deputados representando a população. O parlamentar também reforçou que sua decisão está relacionada à possibilidade de manter uma atuação política mais livre, sem as obrigações administrativas que acompanham a função de ministro.

Ao explicar sua escolha, o deputado afirmou que precisa continuar entregando a Lula o apoio que considera necessário para o próximo mandato. Na avaliação de Janones, sua atuação poderá contribuir para a governabilidade do presidente, especialmente diante de um Congresso Nacional com presença expressiva de parlamentares de oposição. Ele também declarou que não deseja ficar limitado à rotina de um ministério, porque pretende continuar participando das mobilizações políticas e digitais.

Depois da entrevista, Janones enviou um áudio aos integrantes do Exército do Lula para explicar novamente sua decisão. Na mensagem, afirmou que um ministério seria sua “zona de conforto”, mas que o objetivo principal é ajudar o presidente a ter uma avaliação positiva durante o novo mandato. O deputado também disse que a disputa eleitoral representou apenas uma etapa de um trabalho que, na sua visão, deverá continuar para garantir condições políticas ao governo.

Exército do Lula ultrapassou 10 milhões de participantes

O canal criado por Janones ganhou dimensão nacional durante a campanha do segundo turno e chegou a reunir mais de 10 milhões de pessoas. A estrutura funcionava por meio de mensagens e vídeos enviados pelo parlamentar, que orientava os participantes a compartilhar publicações, ampliar a circulação de conteúdos e mobilizar outros apoiadores. O crescimento ocorreu principalmente nas semanas que antecederam a votação de 25 de outubro, quando Lula disputou a Presidência com Flávio Bolsonaro.

A reportagem mostrou que o número de participantes começou a cair depois do encerramento da eleição, com uma redução de aproximadamente 200 mil pessoas. Janones afirmou acreditar que parte dos integrantes não era formada por apoiadores de Lula e levantou a hipótese de que até 1 milhão de participantes fossem infiltrados ligados ao campo adversário. O deputado também reconheceu que o canal concentrava decisões em sua própria figura e classificou o modelo como uma estrutura transitória, utilizada durante a campanha para alcançar um objetivo eleitoral.

Janones declarou que não considera esse formato o modelo ideal de democracia e defendeu que, em uma situação normal, as pessoas tenham liberdade para publicar o que desejarem nas próprias redes sociais. Entretanto, argumentou que a mobilização organizada foi necessária naquele momento, enquanto ainda existe uma discussão sobre o papel das grandes plataformas digitais na sociedade. Durante a campanha, o Tribunal Superior Eleitoral cobrou das empresas medidas para garantir tratamento igualitário às candidaturas, enquanto Meta, Google e X informaram que não haviam encontrado irregularidades no canal de apoiadores de Lula.

Rotina intensa, repercussão internacional e polêmicas

A atuação de Janones durante a campanha também despertou interesse de veículos de comunicação estrangeiros, que procuraram o deputado para entrevistas depois da vitória de Lula. Ele mencionou contatos de jornais como o francês Le Monde e o britânico The Guardian, além de convites de jornalistas de países como Alemanha, Itália, Espanha, Colômbia e México. O parlamentar afirmou que a repercussão internacional não estava entre suas expectativas quando criou o canal de mobilização digital.

A rotina de campanha exigiu deslocamentos frequentes e longas jornadas de trabalho, incluindo viagens de aproximadamente 2 mil quilômetros por semana de carro para manter o acesso à internet. Durante uma entrevista, Janones chegou a apresentar dificuldades para falar e precisou interromper o compromisso, atribuindo o problema a um medicamento utilizado para tratar a garganta. A reportagem também abordou uma medida protetiva solicitada por uma ex-companheira e uma investigação sobre suspeita de rachadinha, temas sobre os quais o deputado apresentou suas explicações e contestou acusações.

Sobre a investigação relacionada à rachadinha, a Procuradoria-Geral da República apontou suspeitas envolvendo o uso de um cartão de crédito de um assessor para despesas pessoais entre 2019 e 2020. Janones negou ter desviado salários de funcionários e informou que fez um acordo para encerrar o processo sem condenação, com devolução de R$ 131.511. A respeito da medida protetiva, afirmou que não poderia comentar detalhes porque o caso tramita em segredo de Justiça, acrescentando que não foi condenado.

Deputado pretende continuar na Rede Sustentabilidade

Na entrevista, Janones também confirmou que pretende permanecer filiado à Rede Sustentabilidade, partido pelo qual foi reeleito deputado federal em Minas Gerais. Ele justificou a decisão pela importância que atribui à própria independência política e pela lealdade à legenda que o recebeu. O parlamentar ainda comentou sua relação com o governador eleito de Minas Gerais, Cleitinho Azevedo, do Republicanos, a quem chamou de amigo e elogiou por defender a pacificação política.

A atuação de Janones na campanha foi mencionada por Lula durante os discursos de vitória, quando o presidente agradeceu ao deputado e destacou a importância da comunicação digital. Após a eleição, o parlamentar também se reuniu com o petista no Palácio da Alvorada, em Brasília, depois de receber um convite para um almoço e uma transmissão ao vivo. Mesmo com a proximidade política e a projeção conquistada pelo Exército do Lula, Janones afirmou que permanecerá na Câmara e não assumirá um ministério.

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Welesson Oliveira

Welesson Oliveira é jornalista brasileiro, especializado em política, combate à corrupção, segurança pública e geopolítica. Atua no jornalismo independente com foco em análises, reportagens investigativas e cobertura dos principais fatos do Brasil e do mundo.

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