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Flávio Bolsonaro e Lula estão correndo contra o tempo em busca dos eleitores que ainda estão indecisos

Belo Horizonte se tornou um dos principais palcos da disputa entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) nos últimos dias da campanha presidencial de 2026, quando os candidatos intensificaram as articulações para conquistar votos antes do segundo turno, marcado para 25 de outubro. A escolha da capital mineira não ocorreu por acaso, pois Minas Gerais reúne o segundo maior eleitorado do Brasil e possui um histórico de resultados que frequentemente acompanha o vencedor da eleição nacional. Além disso, com a disputa apertada nas pesquisas, qualquer vantagem obtida em um estado com mais de 16 milhões de eleitores pode representar um diferencial importante na corrida pelo Palácio do Planalto.

Lula programou um ato político na Praça da Estação, na região central de Belo Horizonte, para esta quarta-feira, 21 de outubro, enquanto Flávio Bolsonaro organizou uma mobilização na capital mineira para o sábado, dia 24, véspera da votação. A programação do senador prevê uma motociata com saída da Praça do Papa, na região Centro-Sul, e chegada à Praça da Liberdade, reunindo apoiadores e lideranças políticas. Dessa forma, os dois candidatos procuram ampliar a mobilização de suas bases e conquistar eleitores em uma região considerada estratégica para a definição do resultado nacional.

A movimentação foi analisada pelo cientista político Walney Junior, ouvido pelo jornal Hoje em Dia, que destacou a importância eleitoral de Minas Gerais e as diferenças sociais, econômicas e regionais existentes no estado. Segundo a avaliação do especialista, o território mineiro funciona como um termômetro da disputa presidencial, pois o comportamento de seus eleitores frequentemente acompanha a tendência observada no resultado brasileiro. Portanto, a presença dos dois candidatos em Belo Horizonte demonstra que a campanha não se limita à divulgação de propostas, mas também envolve uma estratégia territorial para conquistar votos onde uma diferença pequena pode ser decisiva.

Lula e Flávio disputam votos em Minas Gerais na reta final

A importância de Minas Gerais pode ser compreendida pelo tamanho de seu eleitorado e pelo histórico das eleições presidenciais brasileiras desde a redemocratização, em 1989. Ao longo desse período, o candidato que venceu no estado também conquistou a Presidência da República, transformando o desempenho mineiro em um indicador frequentemente acompanhado por analistas e equipes de campanha. Embora esse histórico não represente uma garantia para o resultado de 2026, ele ajuda a explicar por que Lula e Flávio Bolsonaro direcionaram parte de seus últimos compromissos eleitorais para a região.

Os números do primeiro turno mostram que Flávio Bolsonaro conquistou uma vantagem expressiva sobre Lula em Minas Gerais, resultado que aumentou a importância do estado para a estratégia das duas campanhas. De acordo com os dados eleitorais divulgados, o candidato do PL recebeu 5.776.681 votos, correspondentes a 48,24% dos votos válidos, enquanto o presidente petista obteve 5.187.293 votos, ou 43,32%. A diferença de 589.388 votos demonstra que Lula precisa ampliar seu desempenho entre os mineiros, enquanto Flávio busca preservar a vantagem conquistada e evitar que o adversário reduza essa distância na etapa decisiva da eleição.

Em Belo Horizonte, o resultado também favoreceu Flávio Bolsonaro no primeiro turno, reforçando o interesse das campanhas pela capital mineira. O senador recebeu aproximadamente 690 mil votos, equivalentes a 48,30% dos votos válidos, enquanto Lula obteve cerca de 592 mil votos, ou 41,39%, segundo os dados divulgados pelo Hoje em Dia. Nesse contexto, a concentração de eleitores na capital oferece às campanhas uma oportunidade de ampliar sua presença pública, fortalecer alianças e tentar modificar o comportamento de grupos que ainda podem reconsiderar suas escolhas antes do domingo eleitoral.

Lula e Flávio apostam em atos de campanha em Belo Horizonte

A agenda de Lula na Praça da Estação foi organizada para reunir apoiadores no Centro de Belo Horizonte, em uma região de circulação intensa e fácil acesso para diferentes públicos. A atividade foi anunciada pelo deputado federal Rogério Correia (PT) e confirmada pela equipe do presidente, integrando a estratégia petista de reforçar a campanha em Minas Gerais nos dias anteriores à votação. Além de apresentar a candidatura à população, o ato busca estimular a militância, fortalecer a participação de aliados e ampliar a visibilidade das propostas defendidas pelo atual governo.

Flávio Bolsonaro, por sua vez, programou uma motociata para o sábado, com concentração na Praça do Papa e percurso até a Praça da Liberdade, reunindo apoiadores em diferentes pontos da capital. A mobilização foi divulgada por aliados políticos do senador, entre eles o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), que possui forte atuação nas redes sociais e participa da articulação de eventos ligados à candidatura. Como a atividade ocorrerá na véspera do segundo turno, a expectativa estratégica é reforçar a mobilização dos eleitores favoráveis ao candidato e manter a campanha em evidência até as últimas horas permitidas pelo calendário eleitoral.

Apesar da visibilidade desses eventos, o cientista político Walney Junior ponderou que grandes manifestações não necessariamente produzem novos votos na mesma proporção de seu público. Segundo a análise apresentada ao Hoje em Dia, carreatas, motociatas e passeatas funcionam principalmente como demonstrações de força e instrumentos para estimular as bases eleitorais, enquanto o contato direto com eleitores indecisos pode ter um efeito diferente. Assim, embora os atos públicos sejam importantes para a imagem das candidaturas, seu impacto efetivo depende de fatores como a capacidade de mobilização, a comunicação das propostas e a disposição dos eleitores para mudar de posição.

Minas Gerais pode influenciar o resultado do segundo turno

A disputa mineira também apresenta desafios particulares porque o estado reúne diferentes realidades econômicas e sociais, desde grandes centros urbanos até municípios menores, áreas rurais e regiões com características próprias. Por isso, a estratégia de campanha precisa considerar que as prioridades dos eleitores podem variar conforme as condições locais, a renda, o emprego, a segurança pública e a avaliação dos governos. Lula e Flávio tentam, dessa maneira, adaptar suas mensagens e mobilizar aliados para alcançar públicos distintos, buscando transformar a presença em Minas Gerais em apoio efetivo nas urnas.

A proximidade entre os candidatos nas pesquisas nacionais torna ainda mais relevante a busca por votos em estados com grande peso eleitoral, embora levantamentos de opinião não permitam antecipar com certeza o resultado da votação. Ao mesmo tempo, o desempenho de Flávio no primeiro turno mineiro coloca o senador em uma posição que sua campanha pretende preservar, enquanto Lula procura reduzir a diferença e ampliar sua votação. No domingo, 25 de outubro, os votos contabilizados em Minas Gerais serão parte decisiva da apuração nacional, que determinará quem ocupará a Presidência da República pelos próximos quatro anos.

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Welesson Oliveira

Welesson Oliveira é jornalista brasileiro, especializado em política, combate à corrupção, segurança pública e geopolítica. Atua no jornalismo independente com foco em análises, reportagens investigativas e cobertura dos principais fatos do Brasil e do mundo.

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