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Flávio diz que maior ajuste fiscal do Brasil é a derrota de Lula

Durante sabatina na TV Globo nesta sexta-feira (16), o candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) fez uma série de esclarecimentos sobre propostas econômicas e posicionamentos que têm gerado debate na campanha. Um dia após a participação do presidente Lula (PT) no mesmo espaço, o senador buscou apresentar com clareza o que pretende fazer — e também o que não fará — caso seja eleito no segundo turno do dia 25 de outubro.

Salário mínimo, pisos constitucionais e ajuste fiscal

Flávio confirmou que manterá a política de valorização do salário mínimo, garantindo reajuste acima da inflação. Também assegurou que os pisos constitucionais de investimentos em Saúde e Educação não serão alterados. Em relação ao ajuste fiscal mencionado por membros de sua equipe econômica, o senador não detalhou números específicos nem um cronograma preciso. Citou como caminhos a redução de despesas em ministérios e empresas públicas, o aumento de receita por meio de royalties do petróleo e o fortalecimento do combate à corrupção. Medidas mais radicais que circularam em discussões com o mercado financeiro foram descartadas por ele durante a entrevista.

“Terrorismo eleitoral” e críticas ao adversário

O candidato acusou a campanha de Lula de disseminar informações que não correspondem ao seu programa. “Meu concorrente está promovendo um terrorismo”, afirmou, ao rebater afirmações de que pretenderia extinguir aposentadorias, reduzir serviços públicos ou privatizar instituições como Banco do Brasil, Caixa e Petrobras. Para Flávio, a principal mudança necessária nas contas públicas está ligada à própria condução administrativa. “O maior ajuste fiscal que o Brasil pode fazer é tirar o Lula. Ele é o maior problema para esse desajuste de contas”, declarou. A afirmação foi feita sem apresentar dados comparativos sobre a evolução das contas públicas em diferentes períodos de governo.

Sobre o fim da escala 6×1 e outros temas

Questionado sobre ter inicialmente classificado como “oportunista” a proposta de fim da escala de trabalho 6×1 e posteriormente votado a favor da medida, Flávio explicou que a decisão acompanhou a demanda que identificou junto à população. “Eu rodei o Brasil inteiro e votei porque vi que a maioria dos brasileiros queria o fim da escala”, justificou. Em seguida, porém, levantou consequências que precisariam ser acompanhadas: “Todo mundo quer trabalhar menos e ganhar mais. O problema é que com mais um dia de folga você vai andar de ônibus e ser assaltado, vai dormir preocupado com as dívidas”. Ele também renovou o compromisso de enviar ao Congresso proposta que extingue a reeleição e afirmou que “só precisa de um mandato para começar a consertar o Brasil”.

O caso do financiamento do filme e os recursos no exterior

Sobre o pedido de recursos feito a Daniel Vorcaro, do extinto Banco Master, para a produção do filme sobre seu pai, Jair Bolsonaro, o senador manteve sua posição de que se tratou de uma iniciativa particular. “Dinheiro privado para um filme privado”, resumiu. No entanto, quando questionado sobre o destino dos valores que teriam sido enviados a um fundo no exterior, não apresentou detalhes ou documentos que esclarecessem a movimentação financeira. O tema segue sendo acompanhado pela imprensa e pelas investigações em curso.

Panorama das pesquisas na reta final

A pesquisa Datafolha divulgada na quinta-feira (15) mostra a disputa em patamar muito próximo. Flávio Bolsonaro aparece com 47% das intenções de voto totais, enquanto Lula registra 45%. Em relação ao levantamento anterior, o candidato do PL recuou dois pontos, e o presidente manteve seu percentual estável. Com menos de dez dias para o segundo turno, a margem entre os dois é pequena o suficiente para manter a disputa aberta e fazer com que cada entrevista, debate e proposta apresentada possa influenciar a decisão dos eleitores que ainda estão definindo seu voto.

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Welesson Oliveira

Welesson Oliveira é jornalista brasileiro, especializado em política, combate à corrupção, segurança pública e geopolítica. Atua no jornalismo independente com foco em análises, reportagens investigativas e cobertura dos principais fatos do Brasil e do mundo.

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