Últimas Notícias

Márcio Canella foi preso nesta quinta-feira (15), ele é suspeito de integrar um esquema de lavagem de dinheiro

A Polícia Federal prendeu Márcio Canella, deputado estadual do União Brasil e ex-prefeito de Belford Roxo, nesta quinta-feira (15), durante uma nova etapa da Operação Unha e Carne, que investiga uma organização criminosa suspeita de utilizar postos de combustíveis para lavar dinheiro no estado do Rio de Janeiro. A prisão chama a atenção porque Canella foi reeleito deputado estadual nas eleições de outubro de 2026 com 197.178 votos, alcançando a segunda maior votação entre os 70 parlamentares eleitos para a Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj). Além do político, também foi preso o delegado Marcus Vinicius Amim Fernandes, ex-secretário da Polícia Civil fluminense, em uma operação que envolve mandados judiciais e medidas contra empresas supostamente utilizadas no esquema investigado.

A ação policial faz parte de uma investigação mais ampla sobre a movimentação de recursos financeiros por meio de uma rede de estabelecimentos do setor de combustíveis na Região Metropolitana do Rio de Janeiro. Segundo informações divulgadas pela CNN Brasil, a operação prevê o cumprimento de seis mandados de prisão preventiva e 16 mandados de busca e apreensão, distribuídos por sete municípios fluminenses. Entre as cidades alcançadas estão a capital, Niterói, Angra dos Reis, Petrópolis, Armação dos Búzios, Nova Iguaçu e São Gonçalo, locais onde foram determinadas diligências para aprofundar a apuração sobre as atividades atribuídas aos investigados.

A Polícia Federal também obteve decisões judiciais para o sequestro de bens e valores e a suspensão das atividades econômicas de 112 empresas relacionadas à rede investigada. Desse total, 96 seriam postos de combustíveis, apontados pelos investigadores como possíveis instrumentos para ocultar a origem de recursos ilícitos e conferir aparência legal ao dinheiro movimentado. Entretanto, a existência de suspeitas e a execução de medidas cautelares não representam, por si só, uma condenação criminal, de modo que a responsabilidade individual dos envolvidos deverá ser apurada no decorrer do processo judicial.

PF prende Márcio Canella em nova fase da Operação Unha e Carne

A Operação Unha e Carne reúne diferentes etapas de investigação sobre suspeitas de atuação de uma organização criminosa e possíveis conexões com agentes públicos no Rio de Janeiro. De acordo com informações divulgadas anteriormente, um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) identificou movimentações superiores a R$ 7,6 bilhões em um período de seis anos, valor que passou a integrar o contexto das apurações sobre a rede de postos de combustíveis. A análise dessas operações financeiras busca esclarecer a origem dos recursos, identificar os beneficiários das movimentações e verificar se empresas comerciais foram utilizadas para dissimular transações suspeitas.

A prisão de Márcio Canella ocorre em um momento de destaque na trajetória política do parlamentar, que comandou a Prefeitura de Belford Roxo e preside o União Brasil no estado do Rio de Janeiro. Nas eleições de 4 de outubro de 2026, ele recebeu 197.178 votos, correspondentes a aproximadamente 2,24% dos votos válidos para deputado estadual, ficando atrás apenas de Índia Armelau, do PL, que obteve 248.504 votos. Com a reeleição, Canella conquistou mais um mandato na Alerj, com início previsto para 2027, mas a nova prisão coloca sua situação judicial no centro das atenções políticas estaduais.

A operação também alcançou Marcus Amim, delegado que já ocupou o cargo de secretário da Polícia Civil do Rio de Janeiro e exerceu outras funções públicas ligadas à segurança e à administração estadual. A presença de um ex-integrante da cúpula policial entre os alvos amplia a relevância institucional do caso, uma vez que as investigações procuram esclarecer possíveis relações entre os suspeitos, agentes públicos e as atividades econômicas sob apuração. Ainda assim, os fatos atribuídos a cada investigado precisam ser individualizados pelas autoridades, com análise das provas reunidas e respeito ao direito de defesa durante os procedimentos legais.

Márcio Canella já havia sido preso em investigação anterior

O caso atual também se relaciona ao histórico recente de diligências envolvendo Márcio Canella no âmbito da mesma operação policial. Em julho de 2026, o então prefeito de Belford Roxo foi preso em flagrante depois que agentes da Polícia Federal encontraram um fuzil dentro de um veículo utilizado por ele durante uma ação investigativa, episódio que teve desdobramentos judiciais próprios. Na ocasião, Canella alegou que a arma não lhe pertencia, e a Justiça determinou posteriormente sua soltura mediante medidas cautelares, incluindo o uso de tornozeleira eletrônica, a entrega do passaporte e a suspensão do porte de arma.

A etapa anterior da Operação Unha e Carne já havia atingido outros nomes ligados à política e à segurança pública fluminenses, em investigações sobre possíveis esquemas criminosos e movimentações financeiras suspeitas. Conforme informações divulgadas pela imprensa, fases anteriores incluíram prisões de políticos como Rodrigo Bacellar e Thiago Rangel, em apurações relacionadas a diferentes suspeitas criminais. Embora essas ações integrem o contexto mais amplo das investigações conduzidas pelas autoridades, cada procedimento possui circunstâncias próprias, e eventuais responsabilidades devem ser avaliadas individualmente conforme as provas existentes.

A nova prisão de Canella também repercute por envolver um político que acaba de obter votação expressiva nas urnas e ocupa posição de liderança partidária no estado. Entretanto, o resultado eleitoral não interfere na obrigação das autoridades de investigar possíveis irregularidades, assim como a abertura de uma investigação não elimina os direitos assegurados ao parlamentar pela legislação brasileira. A situação poderá produzir consequências políticas e institucionais conforme o andamento do processo, as decisões judiciais e os eventuais desdobramentos das apurações sobre os fatos atribuídos ao deputado.

Investigação da PF pode ter novos desdobramentos no Rio de Janeiro

Um dos principais pontos da investigação é esclarecer como a rede de postos de combustíveis teria sido utilizada para movimentar recursos e se houve participação de pessoas físicas ou jurídicas na ocultação da origem do dinheiro. Para isso, documentos, registros financeiros, equipamentos eletrônicos e outros materiais recolhidos durante as buscas poderão ser analisados pelas autoridades responsáveis, desde que observados os procedimentos legais aplicáveis. Além disso, o bloqueio de bens e a suspensão das atividades de empresas buscam preservar elementos relevantes para a apuração e impedir a continuidade de operações consideradas suspeitas durante a investigação.

Até a divulgação das informações iniciais pela CNN Brasil nesta quinta-feira, 15 de outubro de 2026, a operação seguia em andamento, com medidas judiciais executadas em diferentes municípios fluminenses. O caso de Márcio Canella reúne, portanto, três aspectos de grande repercussão pública: a prisão de um deputado estadual reeleito com a segunda maior votação do Rio de Janeiro, as suspeitas de lavagem de dinheiro envolvendo uma extensa rede de postos de combustíveis e a investigação de possíveis conexões com agentes públicos. Os próximos passos dependerão da análise das provas, das manifestações das defesas e das decisões da Justiça, sem que as suspeitas atualmente investigadas possam ser tratadas como culpa definitivamente comprovada.

Mostrar mais

Welesson Oliveira

Welesson Oliveira é jornalista brasileiro, especializado em política, combate à corrupção, segurança pública e geopolítica. Atua no jornalismo independente com foco em análises, reportagens investigativas e cobertura dos principais fatos do Brasil e do mundo.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *