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Nikolas postou um vídeo sobre os nordestinos, mas o Instagram retirou o áudio

O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) entrou em confronto público com o cantor Rubel depois que o Instagram retirou o áudio de um vídeo sobre as dificuldades enfrentadas por moradores do Nordeste, publicado na reta final da campanha presidencial de 2026. A gravação reúne depoimentos de pessoas que relatam problemas relacionados ao custo de vida e ao acesso a serviços básicos, com críticas à situação da população e ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O episódio ganhou repercussão porque a publicação foi mantida na plataforma, mas ficou sem a música utilizada originalmente, provocando acusações do parlamentar e questionamentos sobre a aplicação das regras de direitos autorais nas redes sociais.

A publicação recebeu o título O Nordeste que foi esquecido e foi apresentada por Nikolas como uma forma de dar visibilidade às experiências relatadas pelos participantes do vídeo, em uma região eleitoralmente importante para Lula. Aliado do senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato que disputa a Presidência com o atual chefe do Executivo, o deputado mineiro utiliza as redes sociais como um dos principais instrumentos de divulgação de suas posições políticas. Nesse contexto, a retirada do áudio passou a integrar o debate eleitoral, especialmente depois que o parlamentar atribuiu a iniciativa ao cantor Rubel, que já havia manifestado apoio público ao presidente petista.

Segundo informações divulgadas pelo UOL em 20 de outubro, a Meta, empresa responsável pelo Instagram, confirmou que o áudio foi indisponibilizado após uma solicitação de direitos autorais relacionada à música utilizada na gravação. Entretanto, a plataforma não identificou quem apresentou o pedido, de modo que a acusação feita pelo deputado contra Rubel não foi confirmada pela empresa. A música empregada no vídeo era uma versão instrumental de Grão de Areia, parceria de Rubel com Xande de Pilares, lançada em 2023, cuja utilização em conteúdos digitais depende das autorizações correspondentes aos direitos da obra.

Nikolas Ferreira acusa Rubel de pedir retirada do áudio

Após perceber a alteração na publicação, Nikolas Ferreira usou seus perfis nas redes sociais para criticar o ocorrido e afirmar que o vídeo estava sendo prejudicado na plataforma. O deputado também relatou dificuldades anteriores para compartilhar a gravação nos stories do Instagram, quando, segundo ele, o conteúdo aparecia com a tela preta para alguns usuários. Ao comentar a retirada do som, o parlamentar declarou que a medida não teria silenciado apenas sua manifestação política, mas também os moradores nordestinos que participaram dos depoimentos.

Na sequência, Nikolas acusou diretamente Rubel de ter acionado a gravadora Sony Music Brasil para solicitar a retirada do áudio, relacionando a suposta iniciativa ao posicionamento político do cantor. Em suas declarações, o deputado chamou o artista de covarde e afirmou que a medida teria impedido que as críticas dos participantes do vídeo fossem ouvidas pelo público. Além disso, pediu que a produtora responsável pela música liberasse o uso do áudio, argumentando que ainda seria possível reverter a situação antes que a publicação perdesse parte de seu alcance.

Apesar das acusações, a informação confirmada pela Meta foi apenas que houve uma solicitação relacionada aos direitos autorais da música utilizada na gravação. O UOL informou que procurou Rubel e a Sony Music Brasil para obter esclarecimentos, mas, até a atualização da reportagem, não havia apresentado uma manifestação dos dois que confirmasse a versão do deputado. Portanto, a atribuição de responsabilidade ao cantor precisa ser diferenciada da informação oficialmente comunicada pela plataforma, que não revelou a identidade de quem solicitou a retirada.

Vídeo sobre o Nordeste amplia repercussão política no Instagram

A gravação publicada por Nikolas reúne relatos de moradores nordestinos sobre dificuldades financeiras, acesso a serviços básicos e aumento do custo de vida, apresentando críticas à atuação do poder público. O conteúdo também questiona promessas políticas e utiliza a experiência dos participantes para construir uma mensagem direcionada à situação social da região. Com a legenda O Nordeste que foi esquecido, o material procura relacionar os depoimentos à avaliação do governo Lula, em um momento no qual a disputa presidencial mobiliza campanhas e apoiadores em diferentes estados brasileiros.

A repercussão da publicação foi expressiva mesmo depois que o áudio ficou indisponível, conforme os números divulgados pelo UOL. De acordo com a reportagem, o vídeo acumulava aproximadamente 119 milhões de visualizações, mais de 6,6 milhões de curtidas e cerca de 1,2 milhão de comentários após dez horas de circulação sem som. Esses números indicam o alcance obtido pelo conteúdo no Instagram, embora visualizações, curtidas e comentários não representem necessariamente apoio político ou concordância com as afirmações apresentadas na gravação.

A publicação também se insere em uma estratégia mais ampla de comunicação digital utilizada por políticos durante a campanha eleitoral, na qual vídeos curtos e depoimentos pessoais podem alcançar públicos numerosos em pouco tempo. Nesse formato, a apresentação de experiências individuais permite que questões como saúde, renda, segurança e serviços públicos sejam discutidas de maneira direta, mas os relatos não substituem levantamentos abrangentes sobre as condições de toda a população nordestina. Por isso, os números e as afirmações apresentados em conteúdos políticos precisam ser examinados conforme suas fontes, seus períodos de referência e a abrangência dos dados utilizados.

Xande de Pilares esclarece direitos autorais de Grão de Areia

A controvérsia também levou Xande de Pilares a se manifestar sobre a utilização da música, uma vez que ele participou da gravação de Grão de Areia com Rubel. Em declaração divulgada nas redes sociais, o cantor esclareceu que, como intérprete, não cabe a ele autorizar o uso da composição em conteúdos digitais, atribuição que pertence aos titulares dos direitos autorais da obra. A manifestação ajudou a explicar a diferença entre interpretar uma música e possuir autoridade legal para liberar sua utilização em publicações de terceiros.

A questão dos direitos autorais é relevante porque a publicação de músicas em vídeos nas redes sociais está sujeita às condições de licenciamento e às regras aplicadas pelas plataformas digitais. Quando uma solicitação é apresentada e aceita, o conteúdo pode sofrer restrições sonoras ou outras medidas previstas nos procedimentos da empresa, sem que isso signifique necessariamente uma decisão sobre o posicionamento político de quem publicou o material. No caso envolvendo Nikolas Ferreira, a Meta confirmou o pedido relacionado à música, mas não divulgou a identidade de seu autor, enquanto a acusação dirigida a Rubel permaneceu sem confirmação pública na reportagem consultada.

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Welesson Oliveira

Welesson Oliveira é jornalista brasileiro, especializado em política, combate à corrupção, segurança pública e geopolítica. Atua no jornalismo independente com foco em análises, reportagens investigativas e cobertura dos principais fatos do Brasil e do mundo.

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