Últimas Notícias

O presidente Lula já está se preparando para iniciar os compromissos fora do Brasil ainda neste mês

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) retomará sua agenda internacional em novembro, depois de concentrar compromissos no Brasil durante a campanha eleitoral pela reeleição. A programação prevista para os próximos dois meses inclui participações em encontros diplomáticos na Turquia, nas Filipinas, no Uruguai e nos Estados Unidos, com discussões sobre mudanças climáticas, comércio internacional e relações entre países. A confirmação das viagens ocorre depois da vitória de Lula no segundo turno das eleições presidenciais, realizado em 25 de outubro, quando derrotou Flávio Bolsonaro (PL).

Entre os compromissos estão a Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, a reunião da Associação de Nações do Sudeste Asiático (Asean), a cúpula do Mercosul e o encontro de líderes do G20. O presidente também incluiu uma visita de Estado às Filipinas, onde estão previstos encontros com autoridades locais e a assinatura de acordos bilaterais. A agenda foi discutida com o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, que esteve no Palácio da Alvorada para acertar os detalhes das viagens e receber o aval presidencial.

O retorno de Lula aos compromissos no exterior acontece em um momento de mudanças no cenário diplomático brasileiro, especialmente nas relações com os governos dos Estados Unidos e da Argentina. A presença do presidente na reunião do G20, que será realizada em território norte-americano e presidida por Donald Trump, também terá repercussão política diante das divergências recentes entre os dois países. Já a participação na cúpula do Mercosul poderá abrir espaço para um encontro com o presidente argentino Javier Milei, cuja relação com Lula permanece marcada por tensões.

Lula participará da COP31 e da reunião da Asean em novembro

O primeiro compromisso internacional previsto para Lula será a COP31, conferência climática das Nações Unidas que ocorrerá em Antália, na Turquia, nos dias 11 e 12 de novembro, durante a reunião de líderes. O encontro reunirá representantes de diversos países para discutir medidas de enfrentamento às mudanças climáticas e os compromissos internacionais relacionados à redução das emissões de gases de efeito estufa. A participação brasileira também marcará a transferência da presidência da conferência para a Turquia, depois de o Brasil ter exercido essa função durante a COP30, realizada em Belém, no Pará.

A equipe do Palácio do Planalto trabalha na preparação do discurso que Lula deverá apresentar durante o evento, com destaque para a necessidade de fortalecer a cooperação internacional no combate à crise climática. O governo brasileiro pretende defender a continuidade dos compromissos multilaterais e a ampliação das iniciativas destinadas à proteção ambiental. A presença do presidente também permitirá que o Brasil mantenha participação direta nas negociações diplomáticas sobre financiamento climático, preservação ambiental e cumprimento das metas estabelecidas pelos países.

Depois da passagem pela Turquia, Lula deverá seguir para as Filipinas, onde participará da reunião da Asean, prevista para os dias 14 e 15 de novembro, na cidade de Manila. Antes da cúpula, o presidente terá uma visita de Estado em 13 de novembro, com reuniões bilaterais e previsão de assinatura de acordos entre os dois países. A viagem faz parte da estratégia brasileira de ampliar relações comerciais com os países do Sudeste Asiático, região que reúne 11 nações e possui um Produto Interno Bruto estimado em aproximadamente US$ 4 trilhões.

Cúpula do Mercosul poderá aproximar Lula e Javier Milei

Em dezembro, Lula deverá participar da cúpula do Mercosul em Montevidéu, no Uruguai, marcada para os dias 4 e 5, quando o país anfitrião encerrará sua presidência temporária do bloco. O encontro poderá proporcionar uma reunião entre o presidente brasileiro e Javier Milei, caso o chefe do governo argentino confirme presença. Na cúpula anterior, realizada em junho, em Assunção, no Paraguai, Milei não participou, apesar de seu país integrar o grupo de Estados-membros.

As relações entre Lula e Milei atravessam um período de dificuldades, marcado por declarações públicas de ambos os lados e divergências sobre a condução política e econômica da região. O presidente argentino critica o funcionamento atual do Mercosul e defende maior flexibilidade para que os países integrantes negociem acordos comerciais individualmente, enquanto o governo brasileiro busca preservar a estrutura de integração regional. A tensão diplomática aumentou depois que o governo brasileiro chamou de volta seu embaixador em Buenos Aires e orientou o representante argentino a retornar ao próprio país, reduzindo o nível das relações entre os dois governos.

Outro fator de desgaste envolve a suspeita de participação do governo de Milei na operação que permitiu a saída de Flávio Bolsonaro do Brasil rumo aos Estados Unidos. A equipe diplomática brasileira não considera, neste momento, que existam condições políticas para normalizar completamente a relação entre os dois países, especialmente diante das informações sobre a participação argentina no deslocamento do senador. Durante a cúpula de dezembro, os integrantes do Mercosul também deverão tratar das negociações comerciais com a União Europeia e do avanço das conversas para um possível acordo de associação econômica com o Japão.

G20 nos Estados Unidos será o último compromisso internacional de Lula em 2026

A última grande viagem internacional prevista para Lula em 2026 será a participação na cúpula do G20, programada para dezembro, na Flórida, nos Estados Unidos. O encontro será realizado sob a presidência de Donald Trump, que receberá os chefes de Estado e de governo das principais economias do mundo. A presença do presidente brasileiro no evento ganhou importância adicional porque será a primeira ocasião em que Lula e Trump estarão no mesmo ambiente depois da reeleição do petista e da saída de Flávio Bolsonaro para Miami.

Até o momento, não existe uma reunião bilateral previamente agendada entre Lula e Trump durante a cúpula, embora a presença dos dois presidentes no mesmo evento possa abrir espaço para contatos diplomáticos. A relação entre Brasil e Estados Unidos enfrenta divergências relacionadas às declarações de Trump sobre o resultado eleitoral brasileiro e às informações de que integrantes do governo norte-americano teriam auxiliado na saída de Flávio do país. O presidente dos Estados Unidos também não havia parabenizado Lula pela vitória eleitoral e fez declarações questionando a votação brasileira, sem apresentar provas de fraude.

O último encontro presencial entre Lula e Trump ocorreu em maio de 2026, durante uma visita oficial do presidente brasileiro à Casa Branca, em Washington, quando os dois permaneceram reunidos por aproximadamente três horas. Em agosto, os mandatários voltaram a conversar por telefone durante cerca de uma hora e meia, ocasião em que Lula tratou da confiabilidade do sistema eleitoral brasileiro e pediu que o governo norte-americano não interferisse na disputa presidencial. Com a participação nas cúpulas internacionais até dezembro, o presidente brasileiro deverá retomar uma agenda diplomática intensa, envolvendo negociações comerciais, cooperação climática e a tentativa de administrar divergências com governos de diferentes regiões.

Mostrar mais

Welesson Oliveira

Welesson Oliveira é jornalista brasileiro, especializado em política, combate à corrupção, segurança pública e geopolítica. Atua no jornalismo independente com foco em análises, reportagens investigativas e cobertura dos principais fatos do Brasil e do mundo.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *