Os dois candidatos à Presidência estão correndo contra o tempo em busca de novos eleitores

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidatos à Presidência da República no segundo turno das eleições de 2026, realizaram atos de campanha nas ruas no sábado, 10 de outubro, para mobilizar apoiadores e demonstrar força política. Enquanto Lula participou de uma carreata em Natal, no Rio Grande do Norte, Flávio Bolsonaro esteve em São Gonçalo, na região metropolitana do Rio de Janeiro, onde também buscou ampliar a mobilização de sua base eleitoral. Segundo especialistas ouvidos pela CNN Brasil, as atividades de rua desempenham um papel estratégico na reta final da disputa, pois ajudam a transmitir uma imagem de engajamento e competitividade das candidaturas.
As carreatas fazem parte de uma estratégia que procura alcançar eleitores para além dos grupos que acompanham diariamente a política nas redes sociais. De acordo com a cientista política Denilde Holzhacker, professora da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM), essas mobilizações podem contribuir para reduzir a abstenção, especialmente quando são direcionadas a regiões e segmentos considerados importantes pelas campanhas. Além disso, a presença de apoiadores nas ruas permite que os candidatos demonstrem capacidade de mobilização, embora o tamanho dos atos, isoladamente, não seja suficiente para determinar o resultado das urnas.
A disputa do segundo turno exige que Lula e Flávio Bolsonaro organizem suas agendas com foco na conquista de votos e na tentativa de convencer eleitores que ainda não definiram sua escolha. Nesse contexto, as manifestações públicas funcionam tanto como demonstrações de apoio quanto como oportunidades para apresentar mensagens políticas, criticar adversários e reforçar compromissos de campanha. Entretanto, o efeito dessas iniciativas depende de fatores como o conteúdo dos discursos, a repercussão das atividades e a capacidade de cada candidato de transformar a visibilidade obtida em adesão eleitoral.
Carreatas de Flávio e Lula buscam mobilizar eleitores indecisos
Em Natal, Lula participou de uma carreata e de atividades de campanha ao lado de aliados políticos, incluindo Cadu de Lula (PT), candidato ao governo do Rio Grande do Norte. Durante a agenda, o presidente destacou ações e investimentos realizados na região Nordeste e criticou a proposta de redução de gastos públicos defendida por Flávio Bolsonaro, que classificou como um possível corte em programas sociais. Dessa maneira, a mobilização foi utilizada não apenas para reunir apoiadores, mas também para apresentar argumentos econômicos e sociais relacionados às propostas em discussão na campanha presidencial.
Flávio Bolsonaro, por sua vez, participou de uma carreata em São Gonçalo, município da região metropolitana do Rio de Janeiro, onde procurou fortalecer sua presença junto ao eleitorado fluminense. Durante o ato, o senador defendeu a redução da maioridade penal, tema relacionado à segurança pública que integra o debate político nacional e aparece com frequência nas manifestações de sua campanha. Ao escolher uma atividade de rua em seu estado de origem, o candidato também buscou demonstrar a capacidade de mobilização de seus apoiadores e ampliar a divulgação de suas propostas entre os eleitores.
As duas agendas ocorreram em um momento no qual cada candidatura procura consolidar seus apoiadores e atrair pessoas que ainda não estão firmemente identificadas com nenhum dos concorrentes. A cientista política Mayra Goulart, professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e coordenadora do Laboratório de Partidos, Eleições e Política Comparada (Lappcom), observou que parte dos eleitores indecisos acompanha pouco os assuntos políticos e não busca informações de maneira frequente. Por esse motivo, eventos presenciais podem representar uma oportunidade de contato com esse público, embora não seja possível afirmar antecipadamente se a exposição a uma carreata produzirá um efeito favorável ou desfavorável para determinada candidatura.
Especialistas explicam o papel das manifestações na eleição
Na avaliação de Denilde Holzhacker, as carreatas e outras mobilizações públicas também cumprem uma função simbólica durante a campanha eleitoral. Ao reunir apoiadores e ocupar espaços públicos, os candidatos procuram transmitir uma imagem de vitalidade, organização e capacidade de continuar disputando votos até o encerramento da eleição. Além disso, a demonstração de engajamento pode influenciar a percepção de eleitores que ainda avaliam as alternativas disponíveis, pois a visibilidade de uma campanha pode reforçar a impressão de que ela mantém presença e competitividade na disputa.
A especialista também destacou a importância de Lula intensificar a mobilização presencial para demonstrar que sua candidatura continua ativa e capaz de reunir apoiadores. Segundo essa análise, as atividades de rua complementam a comunicação realizada pelas redes sociais, permitindo que as campanhas alcancem pessoas que não acompanham regularmente os conteúdos políticos publicados na internet. Entretanto, Holzhacker ressaltou que a presença de militantes e simpatizantes não substitui a necessidade de convencer o eleitorado por meio de mensagens e argumentos capazes de responder às preocupações da população.
Mayra Goulart, por sua vez, observou que a repercussão das manifestações depende também das mensagens transmitidas pelos candidatos e pelos grupos que os acompanham. A simples realização de uma carreata pode gerar imagens de grande circulação, mas a capacidade de conquistar novos votos está relacionada ao conteúdo apresentado e à maneira como ele é recebido pelo público. Assim, os atos de campanha podem ampliar a exposição dos candidatos, enquanto as propostas e os discursos continuam sendo elementos importantes para que os eleitores avaliem as opções disponíveis.
Segundo turno aumenta a importância da mobilização eleitoral
O calendário reduzido do segundo turno torna a organização das campanhas especialmente importante, já que os candidatos precisam distribuir suas agendas entre diferentes regiões, públicos e temas políticos. Nesse período, carreatas, comícios, entrevistas e publicações nas redes sociais são utilizados para reforçar mensagens, manter a base mobilizada e tentar alcançar eleitores que ainda não decidiram como votar. Por isso, as atividades realizadas por Lula em Natal e por Flávio Bolsonaro em São Gonçalo fazem parte de uma disputa na qual a presença pública e a comunicação direta ganham relevância.
A mobilização nas ruas, contudo, não deve ser interpretada como uma medição definitiva da intenção de voto, pois a quantidade de participantes de um evento não representa necessariamente o comportamento de todo o eleitorado. Para avaliar o cenário eleitoral, é necessário considerar também pesquisas de intenção de voto, rejeição aos candidatos, comparecimento às urnas e outros indicadores, sempre levando em conta a metodologia e o período de realização dos levantamentos. Dessa forma, as carreatas de Lula e Flávio Bolsonaro demonstram a importância que os dois lados atribuem à mobilização presencial, mas a capacidade de converter essas ações em votos dependerá de como suas mensagens serão recebidas pelos eleitores até o dia da votação.





