Petistas acreditam que já sabem quem foi o culpado pela derrota de Lula no 1º turno

A campanha de Luiz Inácio Lula da Silva terminou o primeiro turno de 2026 diante de uma situação diferente daquela projetada internamente pelo Partido dos Trabalhadores, e a atuação de Sidônio Palmeira passou a ser questionada por lideranças da legenda. Segundo apuração da CNN Brasil, petistas atribuíram ao ministro da Secretaria de Comunicação Social da Presidência parte importante da condução considerada problemática da campanha e passaram a cobrar uma mudança de estratégia para as semanas restantes da eleição. A discussão ocorre depois de Flávio Bolsonaro terminar a primeira etapa na liderança, com 47,03% dos votos válidos, enquanto Lula registrou 45,16%.
De acordo com três integrantes do PT ouvidos pela CNN, a campanha teria sido conduzida de maneira improvisada e apresentado dificuldades para estabelecer uma comunicação mais próxima das preocupações cotidianas dos eleitores. Entre as críticas está a avaliação de que temas como soberania nacional e terras raras receberam espaço significativo, enquanto questões relacionadas ao custo de vida não teriam sido suficientemente exploradas na comunicação eleitoral. Dessa maneira, a pressão interna passou a ser direcionada especialmente para a área de comunicação e para as decisões atribuídas ao ministro.
O resultado das urnas aumentou a urgência dessa discussão porque Lula agora terá apenas três semanas para reorganizar sua campanha antes do segundo turno, marcado para 25 de outubro. Com Flávio Bolsonaro na outra ponta da disputa, o PT terá de reformular sua estratégia para uma eleição que passou a ser decidida exclusivamente entre os dois candidatos. Por isso, a reunião de lideranças petistas realizada nesta segunda-feira, 5 de outubro, ganhou importância na definição dos próximos passos da campanha presidencial.
PT aponta Sidônio e cobra mudança na comunicação
A cobrança sobre Sidônio Palmeira está relacionada ao papel que ele ocupa na estrutura de comunicação do governo e à influência que passou a exercer sobre a estratégia política do presidente. O ministro foi responsável pelo marketing da campanha de Lula em 2022 e assumiu posteriormente o comando da Secretaria de Comunicação Social, tornando-se uma das figuras centrais na definição da comunicação do governo. Agora, porém, integrantes do PT defendem que a estratégia utilizada no primeiro turno seja modificada para a nova fase da disputa.
Além das críticas ao conteúdo da comunicação, também são mencionadas disputas internas entre diferentes grupos envolvidos na campanha presidencial. A Folha de S.Paulo informou que havia núcleos distintos atuando na comunicação, envolvendo Sidônio Palmeira, o fotógrafo Ricardo Stuckert e a responsável pelas redes sociais do PT, Nicole Briones, situação que teria contribuído para dificuldades de coordenação. Paralelamente, problemas relacionados à distribuição de material de campanha também foram relatados, ampliando a pressão sobre a organização da candidatura.
A avaliação feita dentro do PT, portanto, não se limita ao desempenho de uma única peça da campanha, mas envolve uma discussão mais ampla sobre comunicação, logística e definição das prioridades eleitorais. Segundo os relatos publicados, a demora para adaptar o discurso ao crescimento de Flávio Bolsonaro também passou a ser considerada um problema, já que a campanha teria mantido inicialmente uma abordagem mais voltada à apresentação das realizações do governo. Depois, conforme o adversário ganhou espaço, uma postura mais incisiva passou a ser adotada.
Campanha de Lula terá de mudar antes do segundo turno
A necessidade de reformulação ganhou força porque o primeiro turno contrariou as expectativas de parte da equipe de Lula, que trabalhava com a possibilidade de o presidente terminar a votação à frente de Flávio Bolsonaro. Na véspera da eleição, inclusive, Sidônio Palmeira afirmou que a avaliação da campanha era de que Lula sairia na liderança, embora reconhecesse que a disputa estava apertada e evitasse antecipar o resultado. Após a apuração, Flávio terminou em primeiro lugar, o que ampliou a cobrança interna por mudanças.
Outro problema apontado nas avaliações internas foi a distância entre determinados temas utilizados na campanha e as preocupações econômicas enfrentadas pela população. A discussão sobre custo de vida passou a ser considerada especialmente importante porque envolve preços, renda e capacidade de consumo, assuntos que podem ter impacto direto na percepção dos eleitores sobre o governo. Nesse contexto, integrantes do PT defendem que a comunicação seja reorientada para temas mais próximos da realidade cotidiana, em vez de concentrar espaço em assuntos considerados menos conectados às prioridades do eleitor.
A reformulação, entretanto, deverá envolver outros setores da campanha, e não apenas a comunicação comandada por Sidônio. Reportagens apontaram problemas de coordenação entre diferentes grupos, dificuldades na distribuição de materiais e divergências sobre a linha política que deveria ser adotada durante a eleição. Assim, a mudança cobrada por dirigentes petistas tende a envolver a maneira como a campanha será organizada, os temas que serão priorizados e a forma como Lula buscará dialogar com os eleitores no segundo turno.
Segundo turno coloca PT diante de novo cenário
A disputa agora começa praticamente sob novas condições, pois Lula e Flávio Bolsonaro terão de concentrar suas campanhas em uma comparação direta, enquanto os eleitores que escolheram outros candidatos no primeiro turno passam a ocupar posição importante na definição do resultado. O PT terá de buscar esses votos e, ao mesmo tempo, preservar sua base tradicional, tarefa que exigirá uma estratégia de comunicação diferente daquela utilizada na primeira etapa. A mudança também deverá ser acompanhada de maior atenção aos estados e segmentos eleitorais nos quais o desempenho de Lula ficou abaixo das expectativas da campanha.
Nesse cenário, as críticas a Sidônio Palmeira representam uma disputa interna sobre os caminhos que deverão ser adotados pela campanha de Lula até 25 de outubro, mas não significam, por si só, que a responsabilidade pelo resultado esteja comprovadamente concentrada em uma única pessoa. As informações disponíveis mostram que diferentes problemas foram identificados por integrantes do próprio PT, incluindo comunicação, logística, coordenação entre equipes e definição de prioridades, enquanto a campanha terá agora de decidir como responder a essas dificuldades. Portanto, a cobrança por uma guinada revela principalmente a pressão existente dentro do partido para que a estratégia eleitoral seja revista rapidamente antes da votação do segundo turno.





