Relatório da Polícia Federal mostra mensagem reveladora do ex-banqueiro Daniel Vorcaro

Daniel Vorcaro afirmou que seguiria até o fim com o financiamento de Dark Horse, filme sobre a trajetória de Jair Bolsonaro, mesmo diante das dificuldades para realizar os pagamentos previstos. A declaração foi enviada em outubro de 2025, durante uma sequência de cobranças relacionadas aos aportes destinados à produção. As mensagens foram identificadas pela Polícia Federal e passaram a integrar a investigação sobre o financiamento da obra.
A conversa ocorreu em 22 de outubro, quando o então controlador do Banco Master tratava com Thiago Miranda, um dos intermediários envolvidos nas negociações. Vorcaro pediu desculpas pelos atrasos e afirmou que os pagamentos tinham prioridade para ele, apesar dos problemas enfrentados naquele momento. Na mesma data, Flávio Bolsonaro também havia cobrado o empresário sobre os recursos necessários para a continuidade das gravações.
Segundo os documentos analisados pela PF, a produção enfrentava dificuldades financeiras e corria o risco de interromper as atividades caso novas parcelas não fossem liberadas. Flávio informou a Vorcaro que as filmagens estavam no limite e pediu que fosse avisado caso o empresário não pudesse realizar o aporte. Pouco depois, Vorcaro respondeu que resolveria a situação e declarou que continuaria apoiando o projeto.
Vorcaro tratava financiamento do filme como prioridade
A mensagem de Vorcaro ocorreu após Thiago Miranda perguntar se as parcelas poderiam ser liberadas para evitar uma paralisação da produção. O empresário respondeu que havia liberado mais uma parcela naquele dia e, depois de saber que Flávio também entraria em contato, voltou a pedir desculpas pelo atraso. Na sequência, escreveu que iria até o fim com o projeto, independentemente das dificuldades.
O diálogo mostra que os pagamentos do filme eram acompanhados diretamente por Vorcaro, que recebia cobranças sobre a liberação dos recursos. Em janeiro de 2025, mensagens já haviam indicado que ele considerava o financiamento de Dark Horse uma prioridade entre seus compromissos financeiros. As conversas anteriores também registraram questionamentos sobre a situação dos pagamentos e a necessidade de evitar novas interrupções.
Apesar da promessa feita em outubro, o pagamento mencionado naquele dia aparentemente não chegou ao destino. Em 30 de outubro, Miranda voltou a procurar Vorcaro e informou que havia recebido o contrato, mas não o depósito correspondente. No dia seguinte, o empresário disse que a operação havia retornado e seria refeita, enquanto a PF registrou posteriormente que a transferência não foi efetivada.
Financiamento de Dark Horse entrou na investigação
A Polícia Federal identificou sete remessas realizadas em 2025 pela Entre Investimentos e Participações para o Havengate Development Fund, nos Estados Unidos. Os pagamentos somaram US$ 12,33 milhões e foram realizados entre fevereiro e setembro daquele ano. Segundo a investigação, os valores apresentam correspondência com as parcelas previstas em um contrato de financiamento de US$ 24 milhões para Dark Horse.
O contrato localizado pelos investigadores previa que o investimento total de US$ 24 milhões fosse dividido em 14 parcelas. A PF apontou que os valores previstos no documento apresentam forte correspondência com as transferências realizadas pela empresa ligada a Vorcaro. A apuração busca esclarecer a origem e a destinação dos recursos, além de verificar eventuais irregularidades nas operações.
As mensagens também registram cobranças feitas por Flávio Bolsonaro diretamente a Vorcaro durante o período de produção do filme. Em setembro de 2025, o senador enviou um áudio cobrando pagamentos e demonstrando preocupação com compromissos assumidos com o ator Jim Caviezel e o diretor Cyrus Nowrasteh. A PF passou a considerar Flávio um interlocutor direto de Vorcaro nas tratativas relacionadas ao financiamento da obra.
Mensagens revelam dificuldades nos pagamentos
Os documentos divulgados no âmbito da investigação mostram que os pagamentos não ocorreram sempre conforme o cronograma inicialmente previsto. Além da transferência anunciada em 22 de outubro e posteriormente considerada não efetivada, outros diálogos registram cobranças sobre parcelas que ainda não haviam chegado ao fundo responsável por receber os recursos. O conjunto das mensagens passou a ser utilizado pelos investigadores para reconstruir a sequência das negociações.
A investigação sobre Dark Horse também envolve outros integrantes da família Bolsonaro e pessoas relacionadas à produção do filme. Eduardo Bolsonaro aparece associado à gestão dos recursos nos Estados Unidos, enquanto a PF apura a participação de diferentes envolvidos na movimentação financeira do projeto. Flávio Bolsonaro nega irregularidades e afirma que sua atuação esteve relacionada à busca de financiamento privado para a produção.





