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Surgiram rumores de que Santiago Peña, presidente do Paraguai, teria fugido para a Argentina

A crise política que atinge o Paraguai ganhou um novo capítulo nesta quinta-feira (5), depois que parlamentares da oposição levantaram a suspeita de que o presidente Santiago Peña teria deixado o país em direção à Argentina. A informação provocou repercussão no Congresso paraguaio justamente quando o futuro do chefe do Executivo estava sendo discutido em meio ao agravamento de uma crise bancária envolvendo o Ueno Bank. Entretanto, enquanto políticos paraguaios afirmavam que o mandatário poderia ter buscado refúgio no território argentino, o governo de Javier Milei negou qualquer registro de sua entrada no país vizinho.

A suspeita foi apresentada pelo senador Antonio Rubén Velázquez, integrante da oposição, que afirmou ter recebido informações de que Peña teria saído do Paraguai sem comunicar oficialmente sua viagem às autoridades legislativas. Além disso, o parlamentar mencionou a possibilidade de que o presidente tivesse solicitado asilo político a Javier Milei, embora não tenha apresentado documentos ou provas públicas que confirmassem essa hipótese. A declaração aumentou a pressão sobre o governo paraguaio, uma vez que a localização do chefe do Executivo passou a ser questionada durante um momento de extrema instabilidade institucional.

O episódio também chamou a atenção porque a situação jurídica de Peña ainda não estava definida, apesar de ele ter anunciado sua renúncia ao cargo. A saída do presidente dependia de procedimentos constitucionais e de uma deliberação do Congresso, enquanto a oposição defendia que o processo de impeachment fosse levado adiante para permitir sua responsabilização política. Dessa maneira, a possibilidade de uma viagem internacional sem comunicação oficial passou a ser tratada pelos parlamentares como uma questão adicional, com potenciais consequências para a investigação e para a própria estabilidade das instituições paraguaias.

Paraguaios dizem que Peña fugiu: suspeita de viagem à Argentina aumenta a crise

Durante a sessão legislativa, a deputada Johanna Ortega também questionou o paradeiro de Santiago Peña e pediu esclarecimentos ao presidente do Congresso, Basilio Núñez, sobre uma eventual comunicação oficial de saída do país. A parlamentar afirmou que havia informações circulando na imprensa de que o presidente já teria chegado ao território argentino, situação que, caso fosse confirmada, poderia representar uma nova violação constitucional. Ortega destacou que o Congresso precisava conhecer a localização do chefe do Executivo antes de decidir sobre os procedimentos relacionados à sua renúncia e ao julgamento político.

A Constituição paraguaia estabelece obrigações para o presidente da República em relação às viagens internacionais, incluindo a necessidade de comunicação ao Congresso em determinadas circunstâncias. Por isso, a hipótese levantada pela oposição não foi apresentada apenas como uma questão de deslocamento pessoal, mas como um possível descumprimento das regras que organizam o funcionamento do Poder Executivo. Além disso, os parlamentares argumentaram que uma eventual saída sem autorização ou comunicação poderia dificultar o andamento das medidas institucionais e aumentar as dúvidas sobre a disposição de Peña para responder às acusações.

Entretanto, o governo argentino reagiu às informações e negou que o presidente paraguaio estivesse em seu território. Fontes da Casa Rosada, sede do governo de Javier Milei, informaram que não existia qualquer registro da entrada de Santiago Peña na Argentina, contrariando as declarações feitas por parlamentares paraguaios. A negativa também incluiu a informação de que não havia confirmação de um pedido de asilo político, de modo que a hipótese de uma fuga para o país vizinho continuava sem comprovação oficial.

Governo Milei nega que Santiago Peña esteja na Argentina

A posição argentina foi divulgada em meio à repercussão internacional da crise paraguaia e à pressão sobre o governo de Javier Milei para esclarecer se havia recebido o presidente vizinho. A relação entre os dois países possui importância estratégica, especialmente pela proximidade geográfica, pelos interesses comerciais e pela participação conjunta em questões regionais. Nesse contexto, a possibilidade de Peña buscar proteção política na Argentina poderia provocar questionamentos diplomáticos, principalmente porque o mandatário enfrentava um processo de impeachment e acusações relacionadas à crise financeira do Ueno Bank.

Depois da negativa argentina, Santiago Peña publicou uma manifestação nas redes sociais, mas não informou diretamente onde estava naquele momento. Na mensagem, o presidente afirmou que colaboraria plenamente com as instituições competentes para esclarecer os acontecimentos, identificar eventuais responsabilidades e permitir que aqueles que tivessem cometido irregularidades respondessem perante a Justiça. A declaração foi interpretada como uma tentativa de demonstrar disposição para enfrentar os questionamentos, embora não tenha encerrado as dúvidas sobre seu paradeiro.

Outra informação relevante surgiu por meio da senadora paraguaia Lilian Samaniego, que afirmou ter conversado por telefone com Peña e recebido dele a informação de que estava em casa. Entretanto, a parlamentar não esclareceu se o presidente se referia à residência particular ou à residência oficial de Mburuvicha Róga, localizada em Assunção. Posteriormente, o porta-voz da Presidência, Guillermo Grance, também declarou que Peña permanecia no Paraguai e que cumpriria seu dever constitucional de se defender, mas alegou razões de segurança para não revelar sua localização exata.

Crise do Ueno Bank e impeachment aumentam pressão sobre o presidente

A suspeita de fuga precisa ser compreendida dentro de uma crise muito maior, provocada pelo colapso do Ueno Bank e pelas acusações envolvendo a relação entre a instituição financeira e Santiago Peña. O banco foi submetido à intervenção do Banco Central paraguaio depois de apresentar problemas relacionados aos requisitos de solvência, provocando dificuldades para clientes que tentavam acessar suas contas e economias. A instituição atendia aproximadamente 3 milhões de pessoas e administrava recursos públicos expressivos, o que ampliou o impacto econômico e social da crise.

O caso ganhou dimensão política porque Peña havia sido acionista do Grupo Vázquez, controlador do Ueno, antes de deixar sua participação empresarial em março de 2025, segundo as informações divulgadas sobre o episódio. Parlamentares oposicionistas passaram a questionar possíveis conflitos de interesse, a fiscalização da instituição e a movimentação de recursos de fundos de aposentadoria para o banco. Enquanto isso, medidas judiciais foram adotadas contra dirigentes da instituição financeira, e a crise também provocou mudanças no comando do Banco Central paraguaio.

Na quinta-feira (5), a Câmara dos Deputados aprovou o avanço do processo de impeachment contra Peña, enquanto a tramitação de sua renúncia encontrou obstáculos no Congresso. Parlamentares do Partido Colorado, legenda do presidente, deixaram a sessão e impediram a formação do quórum necessário para analisar formalmente o pedido de saída, mantendo a situação institucional indefinida. Com isso, a crise deixou de envolver apenas a responsabilidade administrativa e financeira do governo e passou a representar uma disputa sobre a permanência de Peña no poder, seus direitos políticos e a possibilidade de responder judicialmente pelas acusações.

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Welesson Oliveira

Welesson Oliveira é jornalista brasileiro, especializado em política, combate à corrupção, segurança pública e geopolítica. Atua no jornalismo independente com foco em análises, reportagens investigativas e cobertura dos principais fatos do Brasil e do mundo.

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