Nos EUA, líderes progressistas começaram a pressionar Trump para reconhecer a vitória de Lula

Os principais líderes do Caucus Progressista do Congresso dos Estados Unidos cobraram que Donald Trump reconheça oficialmente a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva na eleição presidencial brasileira. A manifestação foi divulgada em 30 de outubro, por meio de um comunicado assinado por Greg Casar, presidente do grupo, Ilhan Omar, vice-presidente, e Jesús “Chuy” García, responsável pela articulação política da bancada. Os parlamentares democratas criticaram as declarações do presidente norte-americano sobre o processo eleitoral no Brasil e também as manifestações feitas pelo senador Flávio Bolsonaro depois de sua chegada à Flórida.
A cobrança ocorreu cinco dias depois do segundo turno, realizado em 25 de outubro, quando Lula foi reeleito com 51,79% dos votos válidos. O resultado oficial registrou 64.256.232 votos para o petista e 59.826.041 para Flávio Bolsonaro, uma diferença superior a 4,4 milhões de votos. Para os integrantes do Caucus Progressista, a vantagem obtida nas urnas deveria ser respeitada, e as declarações que colocaram em dúvida a votação não poderiam servir de justificativa para contestar a escolha dos eleitores brasileiros.
O comunicado foi direcionado a Trump em um momento de tensão política envolvendo a repercussão internacional da eleição brasileira e a viagem de Flávio aos Estados Unidos. Os deputados afirmaram que o presidente norte-americano se recusava a reconhecer o resultado, apesar da proclamação oficial feita pelas autoridades eleitorais brasileiras. A manifestação também demonstrou preocupação com a aproximação entre Trump e o senador do PL, que, após desembarcar na Flórida, agradeceu o apoio do republicano e questionou a legitimidade da vitória de Lula.
Democratas acusam Trump de questionar o resultado das urnas
No texto, os parlamentares afirmaram que Trump estaria intensificando o que classificaram como “negacionismo eleitoral”, ao repetir críticas à eleição brasileira sem apresentar elementos que comprovassem irregularidades. Eles lembraram que Lula venceu o segundo turno por mais de quatro milhões de votos e destacaram que o presidente dos Estados Unidos havia descrito o processo como fraudado e corrupto. Na avaliação expressa pelos signatários, a recusa em reconhecer o resultado representa uma contestação à decisão tomada pelos eleitores e amplia a tensão entre os dois países.
Trump havia comentado a eleição brasileira em declarações públicas realizadas depois da divulgação do resultado, colocando em dúvida a lisura da votação. Em 26 de outubro, afirmou que o pleito parecia uma eleição fraudada, mas não apresentou provas para sustentar a suspeita, enquanto o Partido Liberal posteriormente reconheceu oficialmente a vitória de Lula. Dois dias depois, o presidente norte-americano voltou ao assunto e disse que não havia tomado partido na disputa, embora tenha repetido críticas ao processo eleitoral brasileiro.
Os democratas também ressaltaram que a eleição foi vencida por uma margem expressiva e que o resultado havia sido reconhecido por diferentes setores políticos e instituições. A nota pediu que os Estados Unidos acompanhassem a posição de outros países e aceitassem o resultado anunciado pela Justiça Eleitoral brasileira. Ao fazer essa cobrança, os parlamentares procuraram separar a manifestação política de um grupo do Congresso da posição oficial do governo norte-americano, que ainda não havia reconhecido publicamente a vitória de Lula.
Flávio Bolsonaro também é alvo de críticas no comunicado
Além de Trump, os líderes progressistas direcionaram críticas a Flávio Bolsonaro, que viajou aos Estados Unidos após ser derrotado por Lula no segundo turno. Segundo o comunicado, assim que chegou à Flórida, o senador agradeceu ao presidente norte-americano pelo apoio e afirmou que a eleição brasileira havia sido roubada. Os parlamentares também mencionaram que Flávio chegou a se apresentar como o legítimo “presidente eleito” do Brasil, declaração que provocou reação entre integrantes da bancada democrata.
A referência dizia respeito a uma carta divulgada pelo senador depois de sua chegada aos Estados Unidos, na qual contestou o resultado eleitoral e se declarou o verdadeiro vencedor da disputa. Posteriormente, o texto foi alterado, e a expressão “presidente eleito” deu lugar à apresentação de Flávio como “líder do Brasil”. A mudança ocorreu em meio à repercussão diplomática do documento, enquanto o senador continuava nos Estados Unidos e Lula se preparava para iniciar seu novo mandato.
Para os deputados do Caucus Progressista, a aproximação entre Trump e Flávio na contestação da eleição precisava terminar imediatamente. O comunicado afirmou que as duas maiores democracias do hemisfério não deveriam tolerar tentativas de negar resultados eleitorais, anular a vontade dos eleitores ou interromper uma transferência pacífica de poder. A declaração foi uma crítica política dos parlamentares democratas e não representou, por si só, uma decisão institucional do Congresso ou uma mudança formal na política externa dos Estados Unidos.
Bancada promete usar instrumentos do Congresso americano
Na parte final do comunicado, Greg Casar, Ilhan Omar e Jesús García afirmaram que pretendem utilizar todos os instrumentos disponíveis no Congresso para defender a integridade eleitoral. A promessa foi relacionada tanto à proteção das eleições nos próprios Estados Unidos quanto ao combate ao que os parlamentares classificaram como interferência eleitoral e negacionismo de Trump em outros países. O texto também vinculou a cobrança sobre o Brasil ao debate político interno norte-americano, diante da proximidade das eleições legislativas de meio de mandato.
O Caucus Progressista reúne quase cem parlamentares democratas e representa a ala mais à esquerda do partido na Câmara dos Representantes. A manifestação de seus principais dirigentes aumenta a pressão política sobre Trump, mas não obriga o presidente a emitir um reconhecimento formal nem altera automaticamente a posição diplomática do governo. Até a divulgação do comunicado, a cobrança dos deputados se concentrava no reconhecimento do resultado brasileiro, enquanto Lula mantinha a vitória confirmada pelas autoridades eleitorais e Flávio seguia contestando publicamente o desfecho da disputa.





