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De acordo com o presidente do PL, Jair Bolsonaro poderá ser um forte candidato à presidência em 2030

Flávio Bolsonaro afirmou nesta terça-feira, 6 de outubro, que sua proposta de acabar com a reeleição para presidente da República não foi apresentada com o objetivo de abrir caminho para uma nova candidatura de seu pai, Jair Bolsonaro, em 2030. A declaração ocorreu depois de o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, afirmar que o ex-presidente poderia voltar a disputar o Palácio do Planalto daqui a quatro anos caso Flávio fosse eleito. Com isso, o candidato passou a tentar esclarecer uma questão que ganhou espaço nas articulações políticas do segundo turno das eleições de 2026.

Segundo Flávio, a ideia é estabelecer uma regra mais ampla para impedir a reeleição no Executivo, e não criar uma situação específica para beneficiar seu pai. O senador afirmou ainda que a proposta poderá alcançar governadores e prefeitos, além do presidente, dependendo da redação que for construída pelo Congresso Nacional. Além disso, ele disse que pretende incluir uma cláusula que impeça parentes até terceiro grau do presidente de disputar a Presidência, o que, pela regra defendida por ele, também atingiria Jair Bolsonaro.

A discussão acontece enquanto Flávio disputa o segundo turno contra Luiz Inácio Lula da Silva e tenta apresentar sua candidatura como um projeto de apenas um mandato. A proposta de acabar com a reeleição já havia sido protocolada pelo senador por meio de uma Proposta de Emenda à Constituição, apresentada em fevereiro de 2026, com o argumento de fortalecer a alternância no poder. Portanto, a declaração mais recente foi utilizada pelo candidato para reforçar uma promessa que já vinha sendo apresentada durante sua campanha presidencial.

Flávio Bolsonaro explica proposta para acabar com a reeleição

A manifestação de Flávio ocorreu após uma fala de Valdemar Costa Neto que recolocou Jair Bolsonaro no debate sobre a eleição presidencial de 2030. O presidente do PL afirmou que, caso Flávio seja eleito, o ex-presidente poderia voltar a disputar o cargo e seria um candidato forte daqui a quatro anos. A declaração provocou uma resposta direta do presidenciável, que disse não saber de onde Valdemar havia tirado essa possibilidade.

Flávio afirmou que seu pai não pediu para disputar novamente a Presidência e também negou que Jair Bolsonaro tenha discutido a possibilidade de ocupar algum espaço em um eventual governo. Segundo o senador, o ex-presidente continuará sendo uma referência pessoal e política para ele, mas não existe um projeto apresentado para que Jair participe da administração federal. Dessa maneira, a fala buscou separar a relação familiar da proposta institucional de mudança nas regras eleitorais.

Outro ponto destacado pelo candidato é que a eventual mudança precisaria ser discutida e aprovada pelo Congresso Nacional. A PEC apresentada por Flávio propõe o fim da possibilidade de reeleição presidencial, mas alterações constitucionais dependem de tramitação no Legislativo e de quórum qualificado para aprovação. Por isso, ainda que a proposta seja defendida pelo candidato, sua implementação dependeria de uma decisão parlamentar e da redação final que venha a ser aprovada.

Fim da reeleição ganha espaço na campanha de Flávio

A proposta de fim da reeleição tornou-se um dos principais argumentos utilizados por Flávio para demonstrar que pretende permanecer apenas um mandato no Palácio do Planalto. Desde o primeiro turno, o candidato vem afirmando que não pretende disputar uma nova eleição presidencial caso seja escolhido pelos eleitores em 2026. Após terminar a primeira etapa da disputa à frente de Lula, ele voltou a dizer que precisa de apenas um mandato para executar o projeto apresentado durante a campanha.

A iniciativa também passou a ser relacionada às articulações de setores políticos que já projetam a eleição presidencial seguinte. Governadores e outras lideranças que pretendem disputar o Palácio do Planalto em 2030 podem ser beneficiados politicamente caso a reeleição presidencial seja eliminada, porque o presidente em exercício não poderia concorrer novamente ao cargo. Nesse cenário, nomes como Tarcísio de Freitas passaram a ser citados nas discussões sobre o futuro político do país, embora a eleição de 2030 ainda esteja distante.

A discussão também precisa ser separada da situação eleitoral de Jair Bolsonaro, que permanece inelegível em razão de decisão do Tribunal Superior Eleitoral. A Corte declarou o ex-presidente inelegível por oito anos a partir das eleições de 2022, após reconhecer abuso de poder político e uso indevido dos meios de comunicação em uma reunião com embaixadores. Assim, a possibilidade de uma candidatura de Jair em 2030 não depende apenas de uma eventual mudança na regra da reeleição, mas também de sua situação jurídica e eleitoral.

Jair Bolsonaro não deve disputar 2030, diz Flávio

Ao negar que a proposta tenha sido feita para beneficiar o pai, Flávio também apresentou uma alteração que poderia impedir diretamente uma candidatura de Jair Bolsonaro em 2030. O candidato afirmou que a tendência é incluir no texto uma regra pela qual parentes até terceiro grau do presidente em exercício também não poderiam concorrer à Presidência durante o período previsto. Dessa forma, mesmo que Jair recuperasse sua condição eleitoral, a regra defendida pelo próprio filho poderia impedir uma candidatura imediatamente posterior ao eventual mandato presidencial de Flávio.

A controvérsia mostra como uma proposta institucional passou a ser relacionada às estratégias políticas da família Bolsonaro e às articulações para os próximos ciclos eleitorais. Enquanto Valdemar Costa Neto projetou uma possível volta de Jair Bolsonaro ao Planalto, Flávio rejeitou essa interpretação e afirmou que seu projeto para o fim da reeleição pretende abrir espaço para novas lideranças. Assim, a discussão sobre 2030 permanece condicionada tanto às regras que forem aprovadas pelo Congresso quanto às condições jurídicas e políticas dos envolvidos.

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Welesson Oliveira

Welesson Oliveira é jornalista brasileiro, especializado em política, combate à corrupção, segurança pública e geopolítica. Atua no jornalismo independente com foco em análises, reportagens investigativas e cobertura dos principais fatos do Brasil e do mundo.

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